Tecnologia

China testa robôs com inteligência artificial para fiscalização de trânsito em três cidades

05 de Maio de 2026 às 15:11

A China implementou um projeto piloto de fiscalização de trânsito com 18 robôs em Hangzhou, Ordos e Kashgar. As máquinas identificam infrações, orientam turistas e sincronizam-se com semáforos em regime de rodízio 24 horas. A iniciativa visa automatizar tarefas repetitivas para reduzir a carga de trabalho dos policiais

A China iniciou um projeto piloto de fiscalização de trânsito utilizando robôs com inteligência artificial em três cidades durante o feriado do Dia do Trabalhador. No total, 18 unidades foram distribuídas: 15 em Hangzhou, capital de Zhejiang, duas em Ordos, na Mongólia Interior, e ao menos uma em Kashgar, na região de Xinjiang. As máquinas atuam em cruzamentos movimentados, operando em regime de rodízio 24 horas, com jornadas individuais de 8 a 9 horas antes da recarga.

Equipadas com modelos de linguagem para interação por voz e algoritmos de visão computacional, as unidades identificam infrações como a falta de capacete em condutores e a invasão de linhas de parada por motonetas. A tecnologia permite a sincronização com semáforos em milissegundos e a execução de oito gestos padronizados de trânsito. Em Kashgar, o robô utiliza câmeras de alta definição, enquanto em Ordos as máquinas focam em patrulhas inteligentes, educação viária e direção de tráfego desde 1º de maio.

Em Hangzhou, a implementação concentrou-se em interseções de grande fluxo e na área turística do Lago Oeste. O objetivo é a "colaboração humano-máquina", na qual os robôs assumem tarefas repetitivas e a orientação de turistas, permitindo que os policiais humanos se dediquem a ocorrências complexas, como acidentes e conflitos. Agentes de trânsito de Hangzhou e Ordos afirmaram que a medida reduziu a carga de trabalho e possibilitou uma gestão urbana mais refinada.

A escolha de Hangzhou como centro do teste é estratégica, dado que a cidade é um polo tecnológico que abriga empresas como Alibaba, Ant Group, DeepSeek, NetEase, DeepRobotics e Unitree Robotics. Com mais de 12 milhões de habitantes, a infraestrutura digital local facilita a integração dos robôs a bases de dados em tempo real e sistemas de monitoramento.

Apesar do avanço técnico, o volume de máquinas é reduzido se comparado ao efetivo de cerca de 2 milhões de policiais do país. No entanto, a iniciativa segue a tendência de automação da segurança iniciada em 2017 com o "AnBot" em aeroportos. Para Jiang Lei, pesquisadora de um centro nacional de robótica, o movimento representa um momento decisivo para a expansão da automação em outros setores.

A aplicação dessa tecnologia, especialmente em Xinjiang, reacende debates sobre vigilância em larga escala, ponto frequentemente questionado por organizações como Amnesty International e Human Rights Watch, embora o governo chinês rejeite tais críticas. Paralelamente, entidades de direitos digitais, incluindo o InternetLab e o Data Privacy Brasil, alertam para riscos como o viés algorítmico na identificação de minorias, a falta de responsabilização por erros do sistema e a possibilidade de vigilância em massa sob a justificativa de gestão de tráfego.

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