Tecnologia

Crimes cibernéticos podem custar US$ 10,5 trilhões anuais até 2025 segundo a Cybersecurity Ventures

30 de Abril de 2026 às 12:09

Conexões remotas sem proteção em sistemas de automação industrial elevam riscos de crimes cibernéticos, com custos projetados em US$ 10,5 trilhões anuais até 2025. O uso de VPNs com criptografia, como o padrão AES-256, previne a interceptação de dados e atende a normas como a LGPD e a IEC 62443

A vulnerabilidade de conexões remotas mal protegidas tornou-se um ponto crítico de risco para a infraestrutura global, com a projeção da Cybersecurity Ventures de que crimes cibernéticos custarão US$ 10,5 trilhões anuais até 2025. No setor industrial, o impacto é amplificado, pois violações de dados — que tiveram um custo médio de US$ 4,45 milhões em 2023, segundo a IBM Security — podem resultar na interrupção total de plantas produtivas.

O risco é especialmente elevado em ambientes de automação, como sistemas SCADA, supervisórios e PLCs. Projetados originalmente para operar em redes fechadas, esses sistemas ficam expostos ao mundo externo quando engenheiros realizam acessos remotos sem a proteção adequada. Sem o uso de Redes Virtuais Privadas (VPN), as informações trafegam por redes abertas, como Wi-Fi de hotéis ou aeroportos, permitindo que criminosos utilizem ferramentas básicas de captura de pacotes para interceptar o tráfego.

Nesse cenário, a VPN atua como um túnel criptografado entre o dispositivo do profissional e a rede corporativa, protegendo credenciais, arquivos e comandos por meio de padrões como o AES-256, utilizado por governos para dados classificados. Na prática, um engenheiro de automação que acessa o sistema supervisório de uma planta petroquímica de sua residência utiliza o cliente VPN para autenticação e criação desse túnel; qualquer tentativa de interceptação resulta em dados cifrados e inúteis para o invasor.

A ausência dessa tecnologia abre caminho para ataques de "man-in-the-middle", onde o hacker se posiciona entre o usuário e o servidor, ou para o sequestro de sessão, em que tokens de autenticação são capturados. Em sistemas industriais, isso pode permitir o envio de comandos não autorizados a equipamentos físicos, gerando consequências catastróficas.

A escolha do protocolo de VPN define o equilíbrio entre performance e segurança. O WireGuard destaca-se por ser mais rápido e robusto, enquanto o IKEv2/IPSec é indicado para dispositivos móveis devido à sua capacidade de reconexão automática. Para profissionais em projetos multinacionais que enfrentam bloqueios regionais ao acessar servidores estrangeiros ou repositórios de fornecedores, ferramentas como a VeePN permitem contornar restrições geográficas, facilitando o acesso a sistemas em diferentes países, como na Argentina, ou até a bibliotecas de streaming domésticas enquanto estão no exterior.

Enquanto grandes empresas implementam infraestruturas próprias com servidores dedicados e logs de auditoria, profissionais autônomos ou empresas menores dependem de provedores externos. Nesses casos, a segurança real depende da verificação de políticas de não armazenamento de logs, estabilidade da conexão e protocolos disponíveis.

A adoção de canais criptografados também é uma questão de conformidade legal e normativa. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) obriga a implementação de medidas técnicas para a proteção de dados pessoais. No âmbito internacional, a norma IEC 62443, voltada para a segurança de sistemas de automação industrial, recomenda explicitamente o uso de criptografia para acessos remotos, tornando a negligência técnica em uma exposição jurídica.

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