Designer utiliza inteligência artificial para materializar projeto de arranha-céu de Antoni Gaudí em Manhattan
O designer belga Thierry Lechanteur utilizou inteligência artificial para recriar visualmente o Hotel Attraction, arranha-céu de 360 metros idealizado por Antoni Gaudí em 1908 para Manhattan. A reconstrução baseou-se em desenhos originais, documentos e estudos acadêmicos
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O designer belga Thierry Lechanteur utilizou inteligência artificial generativa para materializar o "Hotel Attraction", um arranha-céu em Manhattan idealizado por Antoni Gaudí em 1908. O projeto, encomendado na época por dois empresários americanos, nunca ultrapassou a fase de esboços e relatos orais, permanecendo esquecido por décadas.
A proposta de Gaudí consistia em uma cidade vertical, composta por um hotel, teatro, galerias, restaurantes e um mirante no topo, denominado "Space Tower". Estruturalmente, o edifício seria formado por uma torre central circular com remate em estrela, cercada por oito volumes menores. A composição envolveria ferro, cimento, pedra e tijolo, finalizada com cúpulas de vidro e mosaicos.
Para a reconstrução visual, Lechanteur baseou-se em estudos acadêmicos, documentos escritos e nos desenhos originais do arquiteto, que haviam sido publicados em 1956 por Joan Matamala i Flotats e reapresentados em 2003 em um concurso para a área do World Trade Center. O processo técnico envolveu a geração de diversas imagens via IA, seguida de refinamentos no Photoshop e novas passagens por modelos generativos para unificar a estética.
O resultado preserva as curvas amplas e o estilo sinuoso de Gaudí, criando um contraste com a rigidez do aço e concreto de Nova York. A obra compartilha a linguagem visual da Sagrada Família, com torres em formato de picos e uma silhueta que remete a montanhas artificiais. Essa abordagem reflete o método de Gaudí de criar estruturas orgânicas, utilizando maquetes com pesos e cordas invertidas para que a gravidade definisse as formas definitivas.
A materialização do Hotel Attraction, que coincide com o centenário da morte de Gaudí, exemplifica a aplicação da IA como ferramenta de exploração de futuros paralelos e recuperação de projetos inexistentes. O edifício, com 360 metros de altura, surge como uma interpretação livre do vocabulário arquitetônico do catalão.
A integração da IA na arquitetura apresenta crescimento quantitativo e qualitativo. Um relatório do Royal Institute of British Architects indica que 59% dos escritórios já utilizam a tecnologia, contra 41% em 2024, com a tendência de que a ferramenta complemente o trabalho humano. Paralelamente, um estudo de 2025 do American Institute of Architects destaca a valorização da IA na automação de tarefas manuais e pesquisas, embora persistam questionamentos sobre a transparência e a precisão dos resultados.