Drone da Saipem realiza manutenções submarinas por um ano sem necessidade de navios de apoio
A Saipem introduziu o Hydrone-R, equipamento de intervenção submarina residente com autonomia de até um ano no leito oceânico. No campo Njord, da Equinor, o dispositivo utiliza inteligência artificial para monitorar e consertar instalações de petróleo no Mar da Noruega. O sistema atinge 3.000 metros de profundidade e dispensa o uso de navios de apoio
A Saipem implementou o Hydrone-R, o primeiro drone de intervenção submarina residente do mundo, capaz de operar no fundo do mar por até 12 meses consecutivos sem retornar à superfície. Atuando a cerca de 300 metros de profundidade no Mar da Noruega, a tecnologia utiliza inteligência artificial para inspecionar, monitorar e reparar equipamentos de petróleo, eliminando a necessidade de operadores humanos no local ou o uso de navios de apoio.
No campo Njord, da Equinor, o equipamento opera desde 2023 e já acumulou mais de 500 dias de residência subsea, incluindo um recorde mundial de 240 dias ininterruptos. A viabilidade do sistema em condições extremas foi comprovada no final de 2025, quando o drone permitiu o comissionamento de um poço sob ondas de 12,5 metros, cenário que impossibilitou a operação de ROVs convencionais. Em abril de 2026, o Hydrone-R executou ainda uma missão autônoma em uma área de corais árticos, operando sem a dependência de cabos ou suporte da superfície.
O dispositivo alcança profundidades de até 3.000 metros e possui dois modos de navegação: o modo ROV, com alcance de 300 metros, e o modo AUV autônomo, com alcance superior a 20 km. Com potência de 12 kW, o sistema é compatível com ferramentas elétricas e hidráulicas para a manipulação de válvulas e intervenções de emergência. A autonomia do drone é gerida por IA, que realiza o planejamento de trajetórias, o seguimento de tubulações e a detecção de obstáculos.
A integração da tecnologia no campo Njord-A começou em outubro de 2019, por meio de um contrato global de 10 anos firmado com a Equinor para a prestação de serviços com drones submarinos. A iniciativa visou substituir a dependência de navios de apoio em inspeções rotineiras, resultando na conquista do prêmio Spotlight on New Technology na OTC 2021.
Embora complemente a frota de robótica offshore, o Hydrone-R não substitui os ROVs de trabalho pesado, mantendo limitações no alcance do modo ROV e a dependência de comunicações remotas. No âmbito corporativo, a Saipem negocia a venda da Sonsub, divisão responsável pelo desenvolvimento do projeto, para a Fincantieri. A tendência de investir em robôs permanentes no fundo do mar, supervisionados a partir de terra firme, consolida uma mudança na manutenção da indústria global de energia.