Empresa britânica instala sistema flutuante que gera eletricidade a partir do calor dos oceanos
A Global OTEC instalou na Plataforma Oceânica das Ilhas Canárias um sistema flutuante que gera eletricidade contínua através da diferença de temperatura do oceano. A tecnologia reduz a extensão de tubulações em 80% e permite a dessalinização de água. O objetivo é substituir geradores a diesel em pequenos estados insulares

A empresa britânica Global OTEC implementou no Atlântico um sistema flutuante capaz de gerar eletricidade continuamente a partir do calor oceânico. Instalada na Plataforma Oceânica das Ilhas Canárias (PLOCAN), a tecnologia de Conversão de Energia Térmica Oceânica utiliza a variação de temperatura entre a superfície quente do mar e as profundezas geladas para produzir energia sem interrupções.
Diferente das fontes solar e eólica, que são intermitentes e dependem de condições climáticas, a energia térmica oceânica atua como "energia de base". Como a diferença térmica nas águas tropicais é permanente, o sistema opera 24 horas por dia, 365 dias por ano, eliminando a necessidade de baterias de armazenamento para manter a estabilidade da rede elétrica.
O funcionamento ocorre em um circuito fechado baseado na termodinâmica: a água quente da superfície aquece um fluido com baixo ponto de ebulição, que se transforma em vapor e aciona uma turbina. Na sequência, a água fria bombeada das profundezas resfria esse vapor, retornando-o ao estado líquido para reiniciar o ciclo.
A principal inovação da Global OTEC foi a transição de instalações costeiras para uma plataforma móvel no mar. Modelos terrestres anteriores eram financeiramente inviáveis devido aos quilômetros de tubulação necessários para transportar a água fria até a costa. Ao posicionar a estrutura diretamente no oceano, a empresa reduziu em 80% a extensão da tubulação, tornando o projeto escalável para fins comerciais.
A escolha das Ilhas Canárias para a instalação deve-se à combinação de profundidades acessíveis, alta temperatura superficial e um ambiente regulatório favorável. A região, apoiada por um consórcio financiado pelos governos regional e nacional da Espanha, consolidou-se como um centro de tecnologia offshore. Até o final de 2026, o arquipélago receberá também o WHEEL, um demonstrador flutuante de energia eólica da empresa espanhola ESTEYCO, reforçando a posição da localidade como polo de validação tecnológica reconhecido pelo Ministério da Ciência e Inovação da Espanha.
O foco estratégico da tecnologia não é o abastecimento de redes continentais, mas a substituição de geradores a diesel em Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento. Segundo estimativas do consórcio europeu PLOTEC, há mais de 25 gigawatts de capacidade a diesel em ilhas tropicais que poderiam ser substituídos por essa fonte limpa.
Além da eletricidade, a infraestrutura permite a dessalinização de água doce através do uso da água fria captada nas profundezas. Para garantir a viabilidade em regiões sujeitas a furacões, a plataforma foi projetada para resistir a tempestades tropicais extremas.
Para Dan Grech, fundador e CEO da Global OTEC, a operação no Atlântico marca a saída da tecnologia de ambientes controlados para a aplicação real. O próximo passo da companhia é a instalação do primeiro módulo comercial no Havaí, mercado que reúne as condições térmicas e geográficas necessárias para a expansão do sistema.