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Europa investirá 2 bilhões de euros em cabo submarino para conectar Escandinávia à Ásia via Ártico

25 de Maio de 2026 às 06:14

A Europa investirá 2 bilhões de euros no Polar Connect, cabo submarino que ligará a Escandinávia à Ásia via Oceano Ártico até 2030. O projeto visa substituir a dependência de rotas no Mar Vermelho e reduzir a latência de dados

Europa investirá 2 bilhões de euros em cabo submarino para conectar Escandinávia à Ásia via Ártico
O cabo submarino Polar Connect cruzará o Ártico para que a internet europeia não dependa do Mar Vermelho. Custo de 2 bilhões de euros, operação até 2030.

A Europa planeja a instalação do Polar Connect, um cabo submarino de fibra ótica que atravessará o Oceano Ártico para conectar a Escandinávia ao continente asiático. O projeto, com investimento estimado em 2 bilhões de euros, visa criar uma rota de transmissão de dados que evite completamente o Oriente Médio, com previsão de entrar em operação até 2030.

A iniciativa surge para eliminar a dependência do Mar Vermelho, por onde trafegam atualmente cerca de 90% dos dados de internet da Europa. Essa região tornou-se vulnerável devido a conflitos e acidentes: nos últimos dois anos, ocorreram ao menos sete rompimentos de cabos, incluindo incidentes causados por mísseis do grupo Houthi e âncoras de navios de carga. Exemplos críticos incluem o rompimento de três cabos em 2024, após um míssil atingir um navio no estreito de Bab el-Mandeb, e a danificação de outros quatro cabos por uma embarcação comercial em setembro de 2025. Somado a isso, ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã bloquearam a viabilidade de rotas terrestres alternativas pelo Golfo Pérsico.

A nova infraestrutura busca garantir a "soberania de dados" da União Europeia, transferindo o fluxo de informações para águas internacionais sob jurisdição de aliados, como Islândia e Noruega. Além de aumentar a resiliência da rede e evitar interrupções em serviços bancários e de comunicação, a rota pelo Polo Norte é geometricamente mais curta, o que reduz a latência na transmissão entre o norte europeu e o leste asiático.

A implementação, porém, enfrenta obstáculos técnicos severos. O gelo marinho pode danificar cabos em profundidades rasas, e a manutenção é limitada ao curto verão ártico. O histórico de projetos similares é instável: a empresa Quintillion teve um trecho de cabo na costa do Alasca rompido pelo gelo em junho de 2023 e, em janeiro de 2025, um iceberg deixou o sistema inoperante por oito meses devido à ausência de navios de reparo com capacidade de quebra-gelo, resultando no cancelamento do restante de sua rota planejada.

A concentração atual no Mar Vermelho é reflexo de decisões de infraestrutura das décadas de 1990 e 2000, que seguiram as rotas comerciais do Canal de Suez e do Oceano Índico. Com a conclusão do Polar Connect, a Europa terá a primeira redundância de dados para a Ásia independente de zonas de conflito, assegurando a conectividade mesmo em caso de colapso total dos cabos no Mar Vermelho, desde que sejam desenvolvidas embarcações de manutenção capazes de operar em ambiente polar.

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