Tecnologia

Europa testa barreiras de rodovias que geram energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos

23 de Maio de 2026 às 06:12

Empresas europeias testam a instalação de painéis fotovoltaicos em guardrails para gerar eletricidade sem ocupar novas áreas. A tecnologia prevê a produção de 25 MWh por quilômetro de barreira para alimentar sinalizações e iluminação pública. Um trecho de 100 metros monitorará o desempenho do sistema antes da implementação em larga escala

Europa testa barreiras de rodovias que geram energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos
Rodovias solares usam guardrail fotovoltaico para gerar energia limpa em infraestrutura de estradas, túneis e sinalização.

A Europa está testando a transformação de barreiras de segurança em rodovias, os guardrails, em fontes de energia elétrica. Desenvolvido pelas empresas Tecnalia e Vita International sob a iniciativa Liaison, o projeto utiliza painéis fotovoltaicos ultrafinos instalados em chapas planas levemente inclinadas, permitindo que a estrutura mantenha sua função de proteção viária enquanto gera eletricidade.

A principal vantagem da solução é a utilização de superfícies já existentes, eliminando a necessidade de novos terrenos ou a construção de grandes parques solares. A energia produzida pode ser aplicada localmente para alimentar a sinalização viária, a iluminação pública e os sistemas de ventilação de túneis, facilitando a implementação de equipamentos em trechos isolados onde a conexão com a rede elétrica convencional é complexa ou onerosa.

Em termos de produtividade, a estimativa é de 623 kWh por quilowatt-pico, resultando em aproximadamente 25 MWh por quilômetro de barreira. Para efeito de comparação, esse volume de energia seria capaz de abastecer cerca de 20 famílias de três pessoas, considerando um consumo médio mensal de 100 kWh por residência. Dado que a Europa possui cerca de 136.700 quilômetros de estradas, a escala de geração distribuída poderia, potencialmente, beneficiar milhões de pessoas.

No aspecto técnico, a resistência ao impacto é equivalente à de um guardrail convencional. Em casos de acidentes, a manutenção prevê a substituição dos painéis da seção atingida, contando com revestimentos especiais para mitigar danos por abrasão. Um dos desafios de engenharia enfrentados é a sombra projetada pelos veículos, que pode reduzir a eficiência do sistema. Para solucionar isso, os desenvolvedores estudam o uso de eletrônica de potência avançada para isolar painéis sombreados ou a reorganização das células em conexões série-paralelo.

O sistema será submetido a um teste em um trecho de 100 metros para monitorar o desempenho real diante de variáveis como sujeira, manutenção e variações sazonais. A iniciativa integra a estratégia do projeto Liaison de promover a circularidade e a descarbonização do transporte terrestre, que também pesquisa o uso de impressão 3D com materiais reciclados, rastreamento via blockchain e a substituição do cimento por geopolímeros em placas de concreto.

A viabilidade da tecnologia depende agora da aceitação de operadores rodoviários e órgãos reguladores, superando a resistência natural do setor de infraestrutura a mudanças. O objetivo é integrar a resiliência climática e a segurança viária a um modelo de geração limpa que não altere a paisagem nem dispute áreas agrícolas ou ambientais.

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