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Google antecipa para 2029 a maturidade do cenário de segurança digital pós-quântico

30 de Maio de 2026 às 08:16

O Google antecipou para 2029 a maturidade do cenário pós-quântico, acelerando a migração para a criptografia PQC. A China e os Estados Unidos lideram os investimentos no setor, com aportes de 15 bilhões e 7,9 bilhões de dólares, respectivamente. A receita do mercado quântico deve ultrapassar 10 bilhões de dólares até 2026

Google antecipa para 2029 a maturidade do cenário de segurança digital pós-quântico
Foto: iStock.

O Google antecipou para 2029 a maturidade do cenário pós-quântico, reduzindo para cerca de mil dias a janela de tempo para que a segurança digital global seja redefinida. A migração para a criptografia pós-quântica (PQC) agora ocorre em um ritmo mais acelerado do que as previsões governamentais, que estimavam a transição apenas para a década de 2030.

Essa urgência decorre da capacidade de computadores quânticos avançados de romper sistemas criptográficos que atualmente protegem comunicações militares, governamentais e financeiras. Um risco iminente é a estratégia conhecida como "roba agora, descripta depois", na qual dados criptografados são armazenados hoje para serem abertos no futuro com a nova tecnologia, expondo informações sensíveis em um prazo de dez anos.

A disputa pela liderança nesse setor tornou-se um eixo de soberania tecnológica, concentrada em algoritmos quânticos, chips supercondutores, sensores de alta precisão e novos padrões de criptografia. A China lidera o investimento público com aproximadamente 15 bilhões de dólares, utilizando uma estrutura centralizada que integra Estado, exército e universidades. Já os Estados Unidos mobilizaram cerca de 7,9 bilhões de dólares, com um modelo fortemente dependente de empresas como IBM, Microsoft e Google.

O impacto financeiro reflete a prioridade estratégica do setor. O investimento global saltou de 1,3 bilhão de dólares em 2023 para quase 2 bilhões em 2024, com 1,25 bilhão de dólares já mobilizados apenas no primeiro trimestre de 2025. A expectativa é que a receita do mercado quântico ultrapasse 10 bilhões de dólares até 2026, mantendo um crescimento anual próximo a 30% até 2030.

No campo técnico, o Google já havia sinalizado a viabilidade da tecnologia em 2019, ao realizar um cálculo em 200 segundos que levaria 10 mil anos em um supercomputador clássico. O foco atual da indústria, segundo Sergio Boixo, diretor de Quantum Computing do Google Quantum AI, é a estabilização dos sistemas e a redução de erros para operar com milhões de qubits em escala industrial.

A convergência entre computação quântica e inteligência artificial promete acelerar a criação de novos materiais, a pesquisa climática, a logística global e o design de fármacos. Contudo, essa evolução amplia a desigualdade tecnológica. Enquanto os Estados Unidos concentram o capital privado e a China forma talentos especializados, a Europa busca coordenar uma resposta para evitar a dependência externa. A região enfrenta dificuldades de escalabilidade industrial e retenção de talentos, resultando na absorção de startups europeias por capitais estrangeiros.

Nesse contexto, a Fundação Telefônica lançou a edição 129 da revista TELOS, intitulada "Inspiração quântica". Organizada pelo físico Juan Ignacio Cirac, a publicação marca o 40º aniversário da revista e inicia uma reestruturação do periódico. Cirac pondera que, embora a narrativa política e econômica gere entusiasmo ou alarmismo, a computação quântica é um processo gradual que exige pesquisa sustentada e tempo para amadurecer.

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