Tecnologia

Indústria avícola europeia utiliza inteligência artificial para identificar o sexo de embriões antes do nascimento

10 de Abril de 2026 às 09:18

A indústria avícola europeia adota sistemas de inteligência artificial e ressonância magnética para a separação de sexos de embriões, visando eliminar o abate de milhões de pintinhos machos. A tecnologia da empresa Orbem processa até 24 mil ovos por hora e já opera em cinco países para atender a legislações locais

Indústria avícola europeia utiliza inteligência artificial para identificar o sexo de embriões antes do nascimento
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A indústria avícola europeia passa por uma transformação tecnológica para eliminar o abate de milhões de pintinhos machos, impulsionada por novas legislações e pela escassez de mão de obra especializada. A solução central para esse problema é a implementação de sistemas de inteligência artificial (IA) combinados a scanners de ressonância magnética, que permitem a separação "in ovo", ou seja, antes mesmo do nascimento da ave.

Tradicionalmente, a separação de sexos era feita manualmente por operários que analisavam a cloaca ou as asas dos filhotes logo após a eclosão. Como os machos de raças poedeiras não produzem carne em quantidade rentável nem põem ovos, cerca de 330 milhões de aves eram abatidas anualmente na Europa via asfixia por dióxido de carbono ou trituração.

Para reverter esse cenário, a empresa Orbem, sediada em Munique, desenvolveu um algoritmo de IA que analisa imagens de ressonância magnética de embriões com 10 a 12 dias de incubação. O sistema, operado em parceria com o grupo Vencomatic, consegue processar até 24 mil ovos por hora. Quando a IA identifica um embrião macho ou um ovo sem embrião, estes são desviados para serem utilizados como biogás ou ração animal, enquanto as fêmeas seguem para a incubação.

Segundo Miguel Molina Romero, cofundador da Orbem e bioengenheiro, a tecnologia é viável porque, nesse estágio inicial, o embrião ainda não possui sistema neuronal para processar estímulos ou dor. A solução foi acelerada para atender a leis rigorosas, como a da França, que exigiu a separação in ovo a partir de 2 de janeiro de 2023. Atualmente, a tecnologia já está instalada na Alemanha, Noruega, Suíça, Países Baixos e França. A Orbem planeja expandir o uso de ressonância e IA para outros setores, como a análise de qualidade de frutas (abacates e melancias) sem a necessidade de abri-las.

O cenário regulatório na União Europeia é fragmentado. Luxemburgo foi pioneiro ao proibir o abate por razões econômicas em julho de 2018. Áustria e França implementaram proibições em janeiro de 2023, embora a Áustria ainda permita o gaseamento em condições específicas. A Itália aprovou a proibição via Lei de Orçamento de 2022, com transição prevista até 2027, enquanto os Países Baixos planejam eliminar a prática até o fim de 2026. Na Espanha, a situação é distinta, com cerca de 35 milhões de galos ainda abatidos nas primeiras horas de vida.

Além da questão ética, a automação resolve a dificuldade de encontrar trabalhadores para tarefas repetitivas e noturnas. No setor de aves para carne, onde machos e fêmeas são ambos criados, mas destinados a mercados diferentes devido ao peso (como asas ou frangos assados), a empresa americana TARGAN introduziu o WingScan.

Diferente da separação in ovo, o WingScan identifica o sexo após o nascimento através de aprendizado de máquina, processando entre 80 mil e 160 mil aves por hora. Em junho de 2025, a tecnologia foi instalada em uma incubadora na Catalunha, Espanha, via parceria com a Pondex. O sistema é compatível com raças que desenvolvem penas distintas, como a Aviagen Ross 308, reduzindo a manipulação individual dos animais e aumentando a eficiência produtiva.

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