Tecnologia

Pesquisadores desenvolvem superfícies inteligentes para aumentar a eficiência e a segurança das redes 6G

04 de Maio de 2026 às 12:29

Pesquisadores da UBC Okanagan desenvolveram superfícies inteligentes empilhadas com arquitetura não linear para aprimorar as redes 6G. A tecnologia processa sinais eletromagnéticos no espaço, reduzindo o consumo energético e aumentando a segurança e a confiabilidade da comunicação. Um protótipo físico está sendo desenvolvido para validar as previsões teóricas em ambientes reais

Pesquisadores da UBC Okanagan desenvolveram uma abordagem para fortalecer a comunicação sem fio nas futuras redes 6G por meio de superfícies inteligentes empilhadas (SIS). Liderada por Anas Chaaban, da School of Engineering, a equipe propõe a substituição do hardware convencional por camadas de materiais projetados para manipular ondas eletromagnéticas durante a propagação, permitindo o processamento de sinais diretamente no espaço e reduzindo a dependência de circuitos complexos de alto consumo energético.

O diferencial do projeto, detalhado em estudo publicado na IEEE Wireless Communications, é a implementação de uma arquitetura não linear em cada elemento da superfície. Enquanto os modelos de SIS anteriores operavam de forma linear e realizavam transformações simples, a nova estrutura permite que as superfícies processem sinais de maneira complexa, simulando o funcionamento de neurônios em redes neurais artificiais.

Na prática, as ondas atravessam componentes que alteram os sinais antes que antenas os capturem e os enviem a processadores digitais. Omran Abbas, doutorando da UBCO e coautor do trabalho, destaca que essa não linearidade introduz capacidades inéditas ao sistema, aproximando a operação de inteligência artificial. Em simulações, o modelo superou desenhos convencionais ao elevar a confiabilidade da comunicação e reduzir as taxas de erro de símbolo.

Essa evolução ocorre porque a superfície consegue gerar padrões de onda complexos, tornando a conexão mais resistente a interferências e ruídos. Além do desempenho técnico, a arquitetura amplia a segurança das redes, já que transformações não lineares são mais difíceis de prever, dificultando a decodificação ou interceptação de sinais por terceiros.

Atualmente, o coinvestigador Loïc Markley trabalha no desenvolvimento físico de uma célula unitária não linear para a criação de um protótipo. O objetivo é testar as previsões teóricas em ambientes reais para validar a implantação prática da tecnologia. Embora a capacidade das superfícies não lineares ainda seja pouco explorada, os resultados indicam que a inovação será fundamental para aumentar a eficiência e a segurança das comunicações de próxima geração.

Notícias Relacionadas