Plataforma flutuante de hidrogênio inicia operações para fornecer energia limpa a navios no Reino Unido
A estação Hydrogen Power Hub concluiu testes no Reino Unido e está apta a operar, fornecendo cinco megawatts de energia via hidrogênio para navios atracados. A plataforma flutuante modular elimina a necessidade de obras em cais e reduz as emissões portuárias em 77%. O sistema utiliza células de combustível, baterias integradas e tanques de armazenamento para suprir embarcações
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A estação de abastecimento Hydrogen Power Hub concluiu seis meses de testes de engenharia no Reino Unido e está apta a iniciar operações. A plataforma flutuante gera cinco megawatts de energia contínua a partir de hidrogênio, permitindo que navios de grande porte e cruzeiros recebam eletricidade enquanto estão atracados, sem a necessidade de manter motores de combustão ligados.
A solução resolve um gargalo logístico e burocrático dos portos. Atualmente, a instalação de tomadas elétricas em cais exige a modernização de subestações e a extensão de quilômetros de cabos, processos que podem levar até sete anos. O sistema flutuante elimina essas obras, permitindo que embarcações ancorem no mar e acessem energia limpa imediatamente. Essa agilidade é estratégica para centros como Londres, Singapura e Hamburgo, que enfrentam pressões regulatórias para reduzir emissões sem interromper suas atividades portuárias.
Estruturalmente, o hub é composto por três módulos hexagonais que somam 1.200 metros quadrados. A operação baseia-se em células de combustível de 1,3 megawatt, que operam de forma silenciosa e consomem entre 7.500 e 8.000 kg de hidrogênio semanalmente. Para garantir a entrega rápida de carga, o sistema utiliza baterias integradas de 45 megawatt por hora, que são carregadas lentamente para posterior liberação aos navios. O suprimento de hidrogênio é mantido em sete tanques a bordo, reabastecidos periodicamente por navios de apoio.
O projeto incorpora tecnologias de ponta, como o armazenamento em materiais nanoporosos desenvolvido pela Rux Energy UK, que mantém o hidrogênio em baixa pressão e de forma compacta. Além disso, painéis solares nos módulos geram até 146 quilowatts extras, conferindo autonomia à plataforma.
A validação técnica envolveu diversas entidades. A Universidade de Strathclyde testou a estabilidade e a integridade da estrutura em tempestades, enquanto a Schneider Electric e a Ricardo plc certificaram a segurança da integração do gás e a independência da arquitetura elétrica. Após a análise do estresse dos materiais e dos sistemas de ancoragem, a viabilidade técnica da construção foi confirmada.
O impacto ambiental é significativo: a substituição de geradores a diesel por essa plataforma reduz as emissões portuárias em 77%, evitando a liberação de 47 toneladas de dióxido de carbono por navio a cada semana e eliminando a chuva de partículas em cidades costeiras. A estimativa é que a tecnologia evite a emissão de 500 mil toneladas de carbono na próxima década.
Embora o custo da energia via hidrogênio seja superior ao da rede terrestre ou do diesel — variando entre 0,25 e 0,50 libras esterlinas por quilowatio hora, contra 0,15 a 0,25 libras da energia em terra —, a vantagem reside na mobilidade e rapidez de instalação. Por ser modular, a estrutura pode ser deslocada conforme as rotas comerciais mudem, evitando investimentos em obras fixas que podem se tornar obsoletas.
Além da eletrificação de cais, o consórcio, liderado pela ELIRE Maritime e financiado pelo programa UKRI Clean Maritime Demonstrator Competition Round 6, projeta a aplicação do sistema como base logística, infraestrutura de defesa ou nó de integração para parques eólicos marítimos. Atualmente, a empresa negocia as primeiras implantações nos portos de Riga, Brisbane, Hamburgo, Singapura e Londres.