Tecnologia

Programador cria sistema que monitora jatos privados para identificar sinais de pânico entre elites globais

05 de Junho de 2026 às 06:04

Kyle McDonald criou o Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse, que monitora o deslocamento de 11 mil jatos privados via sinais ADS-B para identificar pânico entre elites globais. A ferramenta classifica a atividade aérea em uma escala de 1 a 5 e envia notificações automáticas quando o volume de voos supera a média histórica. O serviço possui 2,5 mil inscritos e utiliza a técnica de vibe coding em seu desenvolvimento

Programador cria sistema que monitora jatos privados para identificar sinais de pânico entre elites globais
Unsplash/Niklas Jonasson

Um programador e artista de Los Angeles, Kyle McDonald, desenvolveu o Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse, uma ferramenta que monitora o deslocamento de jatos privados para identificar possíveis sinais de pânico entre as elites globais. A premissa do projeto é que indivíduos com maior proximidade de centros de poder estratégico teriam acesso antecipado a informações sobre crises civilizatórias ou ataques nucleares, utilizando aeronaves particulares para evacuar áreas de risco antes da população geral.

A tecnologia opera por meio de uma rede mundial de receptores de rádio que captam sinais ADS-B, responsáveis por transmitir altitude, velocidade e posição de aeronaves em tempo real. O sistema filtra esses dados para rastrear aproximadamente 11 mil jatos de fretamento e aviões privados, comparando o volume de voos ativos com uma base histórica que considera feriados e padrões semanais ou diários.

O nível de alerta é classificado em uma escala de 1 a 5. Enquanto o nível 1 indica normalidade, o nível 5 sinaliza uma atividade aérea superior a qualquer registro do ano anterior. Caso o volume de voos apresente um salto repentino — superando a média em mais de cinco desvios padrão —, o usuário recebe notificações automáticas via e-mail, SMS ou Telegram.

A criação do rastreador foi motivada por preocupações de McDonald após declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de desaparecimento de civilizações inteiras em cenários de conflito com o Irã. O desenvolvedor questionou se a mesma vantagem informativa que elites utilizam em mercados de criptomoedas e política também seria aplicada em ameaças existenciais. Ao testar o modelo com dados passados, ele identificou que o pico mais expressivo de atividade ocorreu em 6 de abril, data em que o Irã realizou ataques contra alvos israelenses e americanos.

Apesar do impacto dos dados, McDonald ressalta que a ferramenta não possui caráter científico, já que eventos banais, como férias de Natal ou congressos políticos, podem elevar o alerta para o nível 5. Para ele, o projeto funciona como um termômetro da reação das elites diante de incertezas.

O sistema foi desenvolvido utilizando *vibe coding*, técnica em que a inteligência artificial escreve a maior parte do código sob a orientação do programador. Atualmente, o serviço conta com cerca de 2,5 mil inscritos; a maioria utiliza o Telegram gratuitamente, enquanto outros pagam cinco dólares anuais por alertas via SMS ou e-mail.

Com 25 anos de experiência em programação, McDonald divide sua renda entre consultorias tecnológicas e exposições artísticas na Ásia e Europa, fixando para si um salário anual de 60 mil dólares. O rastreador de jatos segue a linha de outros projetos do desenvolvedor focados em inverter a lógica da vigilância, como aplicativos para monitorar helicópteros da Polícia de Los Angeles (LAPD) e ferramentas de reconhecimento facial para identificar agentes de segurança.

A iniciativa dialoga com as teses de Douglas Rushkoff, autor de *Survival of the Richest*, que documenta a construção de bunkers e refúgios autossuficientes por bilionários para enfrentar colapsos sociais. O projeto de McDonald reflete a disparidade no acesso a recursos de sobrevivência e a concentração de poder, embora o criador prefira abordar a situação com humor, tratando o sistema como uma mistura de software, obra de arte e intervenção conceitual.

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