Tecnologia

Rio Grande do Norte implementará novos cabos submarinos para descentralizar a conectividade de internet no Brasil

22 de Maio de 2026 às 12:15

O Rio Grande do Norte implementará cabos submarinos de internet em Natal e Areia Branca, com outras 11 áreas prioritárias na costa. O estado investirá R$ 1,8 bilhão em um supercomputador no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba. As medidas visam descentralizar a conectividade nacional e atrair data centers

Rio Grande do Norte implementará novos cabos submarinos para descentralizar a conectividade de internet no Brasil
Cabos submarinos podem transformar o Rio Grande do Norte em polo estratégico de tecnologia e data centers

O Rio Grande do Norte prepara a implementação de novos cabos submarinos para transmissão de dados e conexão de internet internacional, projeto articulado com o Ministério das Comunicações. A iniciativa prevê inicialmente duas zonas de atracação, localizadas em Natal e Areia Branca, no Oeste potiguar. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, uma dessas áreas já está garantida, e o anúncio oficial referente a Natal deve ocorrer nos próximos 45 dias. Para futuras expansões da rede, o estado já apresentou outras 11 áreas prioritárias ao longo da costa.

A medida visa descentralizar a infraestrutura de conectividade do país, visto que, atualmente, cerca de 90% do tráfego de informações da internet brasileira concentra-se no Ceará. Essa dependência gera riscos operacionais, pois eventuais falhas ou rompimentos nos cabos podem comprometer sistemas digitais, operações online e serviços bancários em larga escala. A nova rede potiguar aumenta a segurança operacional nacional e reduz a latência, otimizando o tempo de resposta na transmissão de dados, fator essencial para a computação em nuvem, inteligência artificial e plataformas digitais.

Essa modernização da infraestrutura é o gatilho para a atração de data centers — centros de processamento e armazenamento de dados utilizados por bancos, empresas de tecnologia e serviços online. A proximidade física entre esses centros e os cabos submarinos diminui o tempo de transmissão, tornando a região atrativa para investimentos bilionários. O potencial de crescimento se estende a setores como telemedicina, comércio eletrônico, educação digital e serviços financeiros online, além de criar um ecossistema favorável para startups de processamento de dados.

O impacto reflete também na indústria local: dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico indicam que apenas 30% da indústria do estado possui processos digitalizados. A nova estrutura deve acelerar a digitalização industrial, permitindo a adoção de monitoramento industrial, análise de dados e automação avançada, transformando as regiões Leste e Oeste em polos de alta intensidade tecnológica. A viabilidade dessas operações é reforçada pela capacidade energética do Rio Grande do Norte, que possui forte geração de energia solar e eólica, insumos indispensáveis para o alto consumo elétrico de centros de tecnologia.

Paralelamente, o estado investirá R$ 1,8 bilhão, com recursos federais e contrapartida estadual, na instalação de um supercomputador no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba. O equipamento, que pode pesar até cinco toneladas e terá operação iniciada cerca de 12 meses após a construção, integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O sistema potiguar será um dos dois supercomputadores do Brasil, operando em conexão constante com outra unidade a ser construída na região Sudeste para a troca de informações via processamento avançado de dados e inteligência artificial.

A convergência entre a nova rede de internet internacional, a chegada de data centers e o supercomputador posiciona o Rio Grande do Norte como um hub estratégico para a inovação e serviços digitais no Nordeste. O movimento responde à crescente demanda global por processamento digital impulsionada pela inteligência artificial generativa e serviços em nuvem, diversificando o perfil econômico estadual por meio da geração de empregos qualificados e da atração de capital estrangeiro.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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