Tecnologia

Robô da Sony vence jogadores profissionais de tênis de mesa em testes de desempenho especialista

10 de Maio de 2026 às 19:12

A divisão de IA da Sony desenvolveu o Ace, robô de tênis de mesa que derrotou jogadores profissionais em partidas oficiais. O sistema utiliza oito articulações, nove câmeras e treinamento via simulação para processar a dinâmica do jogo. O projeto foi detalhado em estudo publicado na revista Nature

A divisão de pesquisa de inteligência artificial da Sony desenvolveu o Ace, o primeiro robô capaz de atingir desempenho de nível especialista em um esporte físico. Diferente de sistemas de IA que superaram humanos em ambientes digitais e jogos de estratégia, como Go e xadrez, o Ace foi projetado para enfrentar a imprevisibilidade e a velocidade de tempo real do tênis de mesa.

O projeto, detalhado em estudo publicado nesta quarta-feira (22) na revista Nature, resultou em vitórias contra atletas de elite e profissionais. Em abril de 2025, o robô venceu três de cinco partidas contra jogadores de elite e perdeu duas para profissionais. Posteriormente, em dezembro de 2025 e no mês passado, o Ace conseguiu derrotar jogadores profissionais em confrontos regidos pelas normas da Federação Internacional de Tênis de Mesa e monitorados por juízes licenciados.

A estrutura técnica do robô consiste em uma plataforma de oito articulações, sendo três destinadas à posição da raquete, duas para a orientação e três para controlar a força e a velocidade da tacada. Para processar a dinâmica do jogo, o sistema utiliza três sistemas de visão e nove câmeras sincronizadas, permitindo rastrear bolas giratórias com uma precisão superior à percepção do olho humano.

Peter Dürr, líder do projeto, explica que o Ace não aprendeu observando humanos, mas foi treinado via simulação. Isso resultou em um tempo de reação e capacidade de leitura de giro descritos como sobre-humanos, gerando comportamentos imprevisíveis para os adversários. A atleta profissional Mayuka Taira, derrotada pelo robô em dezembro, destacou a ausência de emoções e a dificuldade de prever as jogadas da máquina.

Por outro lado, a adaptação humana ainda se mostra um diferencial competitivo. O jogador de elite Rui Takenaka, que venceu e perdeu partidas contra o Ace, observou que o robô devolve saques complexos com a mesma intensidade, mas reage de forma simplificada a saques básicos, o que permitiu a abertura para ataques eficientes. Dürr reconhece que a capacidade de atletas profissionais em identificar e explorar pontos fracos do adversário é a área atual de aprimoramento do sistema.

Além do esporte, o objetivo da Sony AI é compreender como máquinas podem perceber, planejar e agir com rapidez em cenários instáveis. As técnicas aplicadas ao Ace podem ser transpostas para setores que demandam interação humana e respostas imediatas, como serviços, fábricas, entretenimento e segurança. O avanço reflete uma tendência global de robótica física, exemplificada por robôs que superaram atletas em uma meia-maratona em Pequim no último domingo (19).

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