Sam Altman descarta substituição massiva de empregos por inteligência artificial e revisa previsões anteriores
Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou em conferência que a inteligência artificial não causará a destruição massiva de empregos. O executivo revisou previsões anteriores, destacando que a adoção tecnológica foi mais lenta e que a valorização das interações humanas limita a automação
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Sam Altman, CEO da OpenAI, revisou sua visão sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, descartando a possibilidade de uma destruição massiva de empregos. Em participação virtual em uma conferência do Commonwealth Bank of Australia, em Sydney, o executivo admitiu que suas previsões anteriores sobre a velocidade da substituição de trabalhadores estavam incorretas e que a adoção real da tecnologia ocorreu de forma mais lenta do que o esperado.
A mudança de perspectiva
A nova postura de Altman contrasta com declarações feitas em 2015, quando afirmou que seu objetivo era ajudar a destruir empregos. Nos anos seguintes, ele manteve a tese de que a IA provavelmente substituiria a maioria das ocupações atuais e que certas profissões desapareceriam por completo, embora acreditasse na criação de novas oportunidades.
Atualmente, o empresário nega a ocorrência de um "apocalipse" trabalhista, como defendem algumas empresas do setor. Altman destacou que esperava um impacto mais severo e imediato nos empregos de nível inicial, mas a demanda por esses profissionais não caiu conforme ele havia previsto.
Fatores que limitam a automação
Para o CEO da OpenAI, a resistência à substituição total de funcionários reside na dimensão social do trabalho. Ele argumenta que a valorização das interações humanas, a confiança e a comunicação são elementos difíceis de serem reproduzidos por algoritmos, o que mantém a relevância do contato humano mesmo em tarefas tecnicamente executáveis por IA.
Além do fator social, a viabilidade econômica da automação é um obstáculo. Executivos da Microsoft, Uber e Nvidia alertam para os altos custos de licenças de ferramentas avançadas e processamento de dados. Bryan Catanzaro, vice-presidente de aprendizado profundo aplicado da Nvidia, pontuou que, em sua equipe, o custo da computação supera significativamente o custo dos funcionários, evidenciando que a automação nem sempre representa a opção mais barata.
Cenário econômico e incertezas
O impacto final da IA na economia permanece sob debate entre especialistas. Peter Wildeford, da Rede de Políticas de IA, aponta que as consequências econômicas são incertas, especialmente quanto à reatribuição de funções: não se sabe se trabalhadores afetados pela automação migrarão para novas profissões criadas pela tecnologia ou se permanecerão desempregados.
Dados de uma análise da Yale, coletados até março de 2026, reforçam a tese de Altman ao não demonstrarem mudanças significativas no desemprego entre os profissionais mais expostos à IA. Contudo, o cenário é complexo, pois diversas empresas de tecnologia continuam justificando cortes de pessoal com base na busca por eficiência e investimentos em automação.