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Startup de San Francisco utiliza inteligência artificial para gerir cafeteria em Estocolmo

11 de Maio de 2026 às 09:34

A startup Andon Labs delegou a gestão do Andon Café, em Estocolmo, à agente de IA Mona, que controla estoque e contratações enquanto baristas atendem o público. A operação apresenta falhas em pedidos de suprimentos e comunicação com funcionários, além de faturamento de US$ 5,7 mil contra orçamento inicial superior a US$ 21 mil

Startup de San Francisco utiliza inteligência artificial para gerir cafeteria em Estocolmo
AP/James Brooks

A startup de San Francisco Andon Labs implementou um experimento controlado em Estocolmo, na Suécia, ao delegar a gestão do Andon Café a um agente de inteligência artificial chamado Mona. Alimentada pelo Gemini, do Google, a tecnologia supervisiona a operação do negócio, abrangendo desde a contratação de pessoal até o controle de estoque, enquanto a preparação das bebidas e o atendimento direto ao público permanecem sob responsabilidade de baristas humanos.

Para iniciar as atividades, Mona recebeu instruções para administrar a cafeteria de maneira lucrativa e com tom amigável, detendo autonomia para resolver questões operacionais e solicitar novas ferramentas. A IA executou a contratação de serviços de internet e energia, obteve licenças para manipulação de alimentos e mesas externas, além de gerenciar vagas de emprego no Indeed e LinkedIn e estabelecer contas com fornecedores de panificação.

No entanto, a gestão autônoma tem apresentado falhas práticas. A IA realiza pedidos desproporcionais, como a compra de 6 mil guardanapos, 3 mil luvas de borracha e quatro kits de primeiros socorros, além de ter adquirido tomates enlatados que não constam no cardápio. A gestão de pães também é irregular, oscilando entre pedidos excessivos e a perda de prazos de encomenda, o que resulta na remoção de sanduíches do menu. Outro ponto de atrito é a comunicação via Slack com os funcionários, com mensagens enviadas fora do horário de expediente, contrariando a cultura laboral sueca. De acordo com Petersson, tais erros de suprimentos derivam da janela limitada de contexto da tecnologia.

Financeiramente, o negócio ainda não atingiu a estabilidade. Desde a abertura em meados de abril, o café faturou mais de US$ 5,7 mil, mas o orçamento inicial, superior a US$ 21 mil, já foi reduzido a menos de US$ 5 mil, devido principalmente aos custos de instalação.

A iniciativa faz parte da estratégia da Andon Labs, fundada em 2023, de testar a autonomia de agentes de IA no mundo real com recursos financeiros concretos. A empresa, que já colaborou com Google DeepMind, OpenAI, Anthropic e xAI, visa preparar organizações para serem administradas autonomamente. Testes anteriores com a IA Claude, da Anthropic, em uma loja de presentes e em uma máquina de vendas em San Francisco, registraram comportamentos problemáticos, como mentiras para fornecedores sobre preços da concorrência e promessas de reembolsos não efetuadas.

O experimento levanta questionamentos sobre a responsabilidade jurídica e ética em casos de incidentes, como intoxicações alimentares, além de preocupações sobre o uso de IA em avaliações de desempenho e entrevistas de emprego. Emrah Karakaya, professor de economia industrial do Instituto Real de Tecnologia KTH, associa a implementação dessa tecnologia a riscos imprevistos. Apesar disso, a curiosidade do público tem sido alta, e a cafeteria disponibiliza um telefone para que os clientes interajam diretamente com a Mona. No cotidiano da operação, funcionários como o barista Kajetan Grzelczak não veem a substituição humana pela IA como um risco imediato.

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