Startup desenvolve sistema de ondas milimétricas para perfurar rochas em profundidades extremas
A Quaise Energy desenvolveu um sistema de perfuração por ondas milimétricas que vaporiza rochas para acessar camadas profundas da crosta terrestre. A startup captou 134 milhões de dólares para implantar a usina geotérmica Project Obsidian no Oregon, com previsão de entrega de energia para 2030
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A Quaise Energy, startup originária de pesquisas do MIT, desenvolveu um sistema de perfuração que substitui o atrito mecânico por ondas milimétricas para vaporizar rochas. Diferente das brocas rotativas convencionais, que sofrem desgaste acelerado em formações abrasivas e quentes, a nova tecnologia utiliza energia eletromagnética de alta potência para transformar o material sólido diretamente em vapor. Esse método permite ultrapassar as limitações técnicas e econômicas das ferramentas tradicionais, possibilitando a abertura de poços em profundidades extremas.
A empresa já validou a eficácia do sistema ao perfurar mais de 100 metros de granito em condições reais de campo e atingir a marca de 1.000 metros de profundidade em uma unidade de testes no Texas. O objetivo central é acessar camadas da crosta terrestre com temperaturas entre 300 e 533 graus Celsius. Ao atingir esse nível de calor, as usinas geotérmicas podem operar com uma densidade energética superior às instalações atuais, gerando eletricidade renovável com baixa emissão de poluentes e capacidade de produção similar à de usinas nucleares ou a carvão.
Para viabilizar a transição da fase de testes para a operação comercial, a Quaise Energy captou 134 milhões de dólares em um novo financiamento liderado pela Prelude Ventures, com participação da Safar Partners e das companhias japonesas Idemitsu Kosan e JERA. O aporte eleva o capital total acumulado pela startup para 230 milhões de dólares.
O próximo passo estratégico é o Project Obsidian, uma usina geotérmica a ser implantada em concessões federais na Floresta Nacional Deschutes, no centro do Oregon. A região é reconhecida como uma das áreas geotérmicas mais estudadas dos Estados Unidos e possui potencial de geração na escala de gigawatts. A previsão da companhia é que a primeira carga de eletricidade seja entregue à rede em 2030, visando ampliar a estabilidade energética do noroeste do Pacífico.
De acordo com o CEO e presidente da Quaise Energy, Carlos Araque, o novo aporte financeiro marca a transição de uma tecnologia testada em campo para a obtenção de ganhos comerciais. Mark Cupta, diretor da Prelude Ventures, reforça que o acesso a rochas superquentes é a chave para desbloquear a energia geotérmica em uma escala global inédita.