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Startup oferece limpeza gratuita em Nova York para coletar dados para inteligência artificial física

08 de Junho de 2026 às 06:17

A startup MicroAGI lançou em Nova York a Shift, plataforma de limpeza doméstica gratuita que grava a execução de tarefas para coletar dados de IA física. As informações são vendidas para fabricantes de robôs humanoides, com planos de expansão para Londres e Zurique

Startup oferece limpeza gratuita em Nova York para coletar dados para inteligência artificial física
Reuters/Maxim Shemetov

A startup de Munique MicroAGI lançou em Nova York a Shift, uma plataforma que oferece serviços de limpeza doméstica gratuita em Manhattan para alimentar o desenvolvimento da inteligência artificial física. O modelo de negócio consiste em enviar profissionais qualificados para realizar duas horas de limpeza profunda em apartamentos, com a condição de que todo o processo seja registrado por um capacete equipado com câmeras.

O objetivo central é a coleta de dados brutos sobre como seres humanos resolvem problemas cotidianos em ambientes não controlados, como a organização de mesas, a dobra de toalhas ou a limpeza de locais de difícil acesso. Essas informações são extremamente valiosas para fabricantes de robôs humanoides, que buscam treinar sistemas de IA para que máquinas operem com a mesma habilidade de um humano. A rentabilidade da Shift advém da venda desses dados para a indústria de hardware, permitindo que a empresa cubra os custos operacionais e obtenha lucro.

A operação em Nova York, que causou um colapso na infraestrutura da plataforma devido ao volume de reservas, é o início de uma estratégia global. A MicroAGI já investiu mais de 5 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026 em uma rede de colaboradores mundiais, que recebem 20 dólares por hora para gravar suas atividades diárias. A expansão do serviço de limpeza gratuita deve alcançar cidades como Londres e Zurique.

Essa tendência reflete a obsessão atual do Vale do Silício pela IA física, que visa criar máquinas capazes de manipular objetos e se mover em cenários complexos. Enquanto o hardware, como os robôs da Unitree, já atingiu custos acessíveis, o desafio agora reside no software. Para que um robô entenda como lidar com uma cozinha bagunçada, são necessárias massas de dados do mundo real, superando a dependência de modelos de linguagem baseados em textos e imagens da internet.

Outras empresas já adotam lógicas semelhantes. A DoorDash lançou o aplicativo Task, que remunera entregadores para gravarem a execução de tarefas domésticas, entradas em estabelecimentos e conversas espontâneas. Esse material é vendido para desenvolvedores de robótica. O modelo remete ao fenômeno do Pokémon Go em 2016, quando a Niantic utilizou milhões de jogadores para mapear cidades em 3D, criando um ativo de posicionamento visual superior ao GPS.

A coleta de dados para automação também avança em outras frentes: a Meta propõe gravar interações de funcionários em computadores, a Uber coleta vídeos de trajetos de motoristas e governos provinciais na China criaram "fábricas de dados" onde operários são observados por máquinas para emulação de tarefas.

Apesar do avanço, o modelo enfrenta barreiras. O aplicativo Task da DoorDash, por exemplo, precisou excluir cidades e estados com leis trabalhistas rigorosas, como Seattle, Colorado, Nova York e Califórnia. Além disso, há debates sobre a ética de contratar trabalhadores para gravar atividades com o intuito de automatizá-las e substituí-las.

O setor projeta que a IA aplicada ao mundo físico — abrangendo logística, fábricas e residências — pode movimentar até 50 bilhões de dólares em poucos anos. Esse cenário atraiu investimentos de figuras como Jeff Bezos, via projeto Prometheus, e Travis Kalanick, através da Atoms, além de aportes multimilionários em startups como Figure AI, Skild AI e Physical Intelligence.

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