Startup paulistana desenvolve sistema que confere autonomia a robôs para monitoramento de áreas corporativas
A startup paulistana BotBot desenvolveu o BotBrain, sistema que confere autonomia a robôs para monitoramento de áreas e inspeções de segurança. A solução para o mercado corporativo custa US$ 1 mil mensais e pode ser integrada a máquinas bípedes, quadrúpedes ou com rodas
A startup paulistana BotBot, fundada em janeiro de 2025, desenvolveu o BotBrain, um sistema projetado para conferir autonomia a robôs que, originalmente, executam apenas movimentos programados. O dispositivo, que pode ser acoplado fisicamente a máquinas bípedes, quadrúpedes ou com rodas, ou integrado via software quando a adaptação física não é permitida, permite que o equipamento interprete o ambiente e tome decisões com base em regras pré-definidas.
Equipado com sensores, câmeras e alto-falantes, o BotBrain é gerenciado por um software em computador, onde um operador humano configura as ações e monitora a máquina. Na prática, a tecnologia possibilita que robôs realizem rondas patrimoniais, inspeções de segurança e monitoramento de áreas de risco, como barragens e pontes. Um exemplo de aplicação é a detecção de irregularidades em ambientes mapeados: se o robô identificar uma porta aberta que deveria estar fechada, o sistema pode enviar automaticamente um alerta à central de segurança. Além disso, a ferramenta permite a identificação de vazamentos de gás, princípios de incêndio e a verificação do uso de equipamentos de proteção, como capacetes, por funcionários.
Atualmente, a solução é voltada ao mercado corporativo, com um custo de aluguel mensal de US$ 1 mil (aproximadamente R$ 5 mil), valor que não inclui a aquisição do robô, vendido por terceiros. A empresa, que conta com nove colaboradores e escritórios no Brasil e em Portugal, oferece atualizações constantes do produto e projeta, para o futuro, a expansão da tecnologia para o uso doméstico.
O movimento da BotBot insere-se em uma tendência global de "Physical AI", a integração de inteligência artificial a sistemas físicos para acelerar o raciocínio e a resposta das máquinas. No cenário internacional, a startup Skild AI, fundada em 2023, já testou sistemas capazes de realizar tarefas domésticas simples, como limpar mesas e organizar objetos. Simultaneamente, a Boston Dynamics e o Google DeepMind firmaram parceria em janeiro deste ano para aplicar IA em robôs humanoides, com foco inicial em operações complexas na indústria automotiva.
A BotBot busca agora novos investimentos para expandir sua operação, relatando interesse de empresas estrangeiras no projeto, que foi apresentado ao público durante a São Paulo Innovation Week, em maio.