Tecnologia

Startup sul-coreana treina robôs com movimentos de profissionais para desenvolver inteligência artificial física

14 de Maio de 2026 às 18:07

A startup sul-coreana RLWRLD desenvolve a "IA física" por meio da captura de movimentos de profissionais para treinar robôs de alta precisão. O sistema RLDX-1 integra visão computacional e sensores de força para automatizar tarefas manuais em hotéis, armazéns e lojas. O governo da Coreia do Sul investiu US$ 33 milhões na criação de bancos de dados para a robótica industrial

Startup sul-coreana treina robôs com movimentos de profissionais para desenvolver inteligência artificial física
Startup sul-coreana grava movimentos de funcionários para treinar robôs humanoides

A startup sul-coreana RLWRLD está desenvolvendo a chamada "IA física", focada em criar máquinas capazes de perceber, decidir e agir em ambientes reais. Diferente dos modelos de inteligência artificial baseados em textos e imagens da internet, a empresa aposta na coleta de movimentos reais de profissionais para treinar robôs com mãos de cinco dedos a executarem tarefas humanas com precisão.

Para alimentar esse banco de dados, a companhia instalou câmeras e sensores no corpo de funcionários experientes em diversos setores. No Lotte Hotel Seoul, trabalhadores de banquetes registram a dobra de guardanapos e a limpeza de talheres e taças. A tecnologia captura detalhes como a posição dos dedos, o ângulo das articulações, a sequência motora e a força aplicada. Esse processo se repete em armazéns da empresa de logística CJ e em lojas da rede japonesa Lawson, onde a organização de produtos é monitorada para transformar técnicas manuais em dados legíveis por máquinas.

O objetivo central é superar a barreira da destreza manual. Embora robôs humanoides já consigam correr e saltar, a manipulação de objetos frágeis e o controle de pressão exigem uma complexidade técnica elevada. Para solucionar isso, a RLWRLD apresentou o RLDX-1, um sistema de IA para manipulação de alta precisão que utiliza arquitetura multistream. O modelo integra visão computacional, memória de contexto e sensores de força para gerar movimentos mais naturais, funcionando como um "cérebro" universal para humanoides industriais e domésticos.

Esse movimento integra uma estratégia maior da Coreia do Sul para liderar o setor de IA física, unindo sua expertise em semicondutores e automação. O governo sul-coreano destinou cerca de US$ 33 milhões para capturar habilidades de mestres técnicos e criar bancos de dados para a robótica industrial. No setor privado, a Samsung Electronics planeja tornar suas fábricas orientadas por IA até 2030, enquanto a Hyundai Motor Company pretende integrar humanoides da Boston Dynamics em suas operações.

Apesar do avanço, a eficiência das máquinas ainda é inferior à humana. No Lotte Hotel, a limpeza de um quarto que leva 40 minutos para um funcionário exigiria várias horas de um humanoide. A estimativa é que, no futuro, essas máquinas assumam entre 30% e 40% das tarefas internas de serviço, priorizando atividades repetitivas de organização e limpeza, já que a interação humana direta permanece difícil de automatizar.

A transição do treinamento de IA de dados digitais (textos e imagens) para movimentos físicos gera um novo debate sobre a propriedade das habilidades humanas. Experiências adquiridas por trabalhadores ao longo de anos agora são convertidas em informações computacionais para alimentar sistemas comerciais, transformando gestos cotidianos em ativos valiosos para a próxima geração de robótica.

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