TransMIT e Universidade da Bundeswehr desenvolvem motor espacial que "respira" a atmosfera terrestre
Um novo motor espacial está sendo desenvolvido pela TransMIT GmbH e apoiada pela Universidade da Bundeswehr de Munique, com financiamento da ESA. O projeto visa criar um sistema que utilize o ar residual da Terra para impulsionar satélites em órbitas muito baixas. O motor pode atingir um período de funcionamento de até 60.000 horas e reduz a necessidade de combustível importado, promovendo soberania tecnológica europeia
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Um novo motor espacial está sendo desenvolvido pela TransMIT GmbH e apoiado pela Universidade da Bundeswehr de Munique, com financiamento da ESA. O projeto se chama "Cathodeless Electric Propulsion Thruster for Air-Breathing Electric Propulsion Systems" e visa criar um sistema que utilize o ar residual da Terra para impulsionar satélites em órbitas muito baixas.
A tecnologia, conhecida como propulsão elétrica de respiração atmosférica (ABE), é uma abordagem inovadora que rompe com o esquema clássico dos satélites. Em vez de depender de reservas internas de propelente para corrigir a trajetória, o motor captura as partículas de gás presentes nas camadas mais baixas da órbita terrestre, ioniza-as e as acelera para gerar impulso.
Essa mudança é especialmente relevante na órbita terrestre muito baixa (VLEO), onde a atmosfera residual provoca um atrito contínuo sobre o satélite. O desenvolvedor do projeto, TransMIT GmbH, afirma que esse sistema pode atingir um período de funcionamento de até 60.000 horas.
A revisão de projeto superada agora é um marco importante para a maturidade técnica e viabilidade da tecnologia. Após essa etapa, o trabalho entrará em uma fase focada na construção, integração e testes experimentais de um protótipo reduzido em instalações de vácuo.
O impacto dessa tecnologia é evidente para a indústria espacial. Se um satélite puder respirar as partículas da atmosfera em vez de carregar todo o seu combustível desde o lançamento, sua massa inicial pode ser reduzida e seu tempo de operação pode ser drasticamente ampliado.
Além disso, esse modelo permitiria compensar o arrasto atmosférico sem depender de recursos escassos importados. Isso é um ponto importante para a soberania tecnológica europeia. O desenvolvimento também abre caminho para uma nova geração de satélites em órbita muito baixa, com vantagens potenciais em observação da Terra, latência em comunicações e frequência de revisita.
Ainda há muito trabalho a ser feito para demonstrar o sistema completo em condições representativas. No entanto, o avanço europeu desenha um cenário promissor onde o ar da Terra se tornará um recurso valioso para manter os satélites funcionando por muito mais tempo.