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Turbina de energia das marés na Escócia opera por sete anos sem necessidade de manutenção

18 de Junho de 2026 às 06:11

O projeto MeyGen, na Escócia, operou uma de suas quatro turbinas de 1,5 megawatt por sete anos sem manutenção. A instalação total de 6 megawatt gerou mais de 84 gigawatt-hora desde 2018, representando mais de 90% da produção de energia das marés do Reino Unido

Turbina de energia das marés na Escócia opera por sete anos sem necessidade de manutenção
MeyGen

O projeto MeyGen, instalado no Canal de Pentland Firth, na extremidade norte da Escócia, consolidou a viabilidade da energia das marés ao manter uma de suas turbinas em operação por sete anos sem necessidade de manutenção. Localizada no Inner Sound, entre a costa escocesa e a ilha de Stroma, a instalação opera em uma região de intenso fluxo hídrico entre o Mar do Norte e o Oceano Atlântico, enfrentando um dos ambientes marinhos mais hostis do mundo.

A infraestrutura é composta por quatro turbinas de 1,5 megawatt cada, totalizando uma potência de 6 megawatt. Desde 2018, o sistema gerou mais de 84 gigawatt-hora, volume que corresponde a mais de 90% de toda a produção de energia das marés no Reino Unido. O diferencial técnico reside na base de gravidade: cada unidade de 150 toneladas repousa sobre blocos de concreto de 1.450 toneladas, eliminando a necessidade de perfurações ou estacas no leito rochoso, fixando-se apenas pelo próprio peso.

As máquinas possuem rotores de 18 metros de diâmetro com três pás, capazes de suportar correntes de até 10 nós (aproximadamente 12 milhas por hora). Para otimizar a produção e proteger o equipamento, as pás ajustam seu ângulo conforme a carga e um módulo de orientação gira o conjunto para acompanhar a mudança do fluxo das marés. A energia produzida é transmitida via cabo submarino reforçado e, ao chegar à costa, um conversor da ABB eleva a tensão de 4 quilovolts para 33 quilovolts para a integração na rede elétrica local.

A durabilidade do sistema foi comprovada durante intervenções recentes conduzidas pelas empresas Ampeak Energy e Proteus Marine Renewables. Enquanto três das quatro turbinas passaram por manutenção, a unidade TTG 3 permaneceu operacional sem revisões. Esse dado, corroborado anteriormente pela SKF, que já havia registrado seis anos de funcionamento ininterrupto da peça, resolve um dos maiores gargalos do setor: o alto custo de reparos subaquáticos causados pela corrosão e organismos marinhos.

Diferente da energia solar e eólica, a força das marés é previsível com anos de antecedência, o que, somado à redução da frequência de manutenção, amplia a rentabilidade do investimento. Embora a fase atual seja um projeto piloto, a concessão da área permite que a capacidade instalada chegue a 398 megawatt. Entre 2027 e 2029, há contratos previstos para a implementação de mais 59 megawatt com turbinas de maior potência. A tecnologia já possui projeções de expansão para mercados no Alasca, França e Japão, dependendo agora de aportes financeiros e adequações nas redes elétricas para a escala industrial.

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