Uber planeja usar sensores em carros de motoristas parceiros para coletar dados para inteligência artificial
A Uber instalará sensores em veículos de motoristas parceiros para coletar dados urbanos em tempo real. As informações alimentarão empresas de inteligência artificial e de veículos autônomos, expandindo a atuação do projeto AV Labs. A implementação depende de definições técnicas e regulatórias
A Uber planeja transformar sua rede global de motoristas parceiros em uma infraestrutura de coleta de dados em tempo real. O projeto prevê a instalação de sensores em veículos comuns para registrar o ambiente urbano, criando uma malha distribuída de informações que poderá alimentar empresas de inteligência artificial e desenvolvedoras de veículos autônomos. A estratégia foi detalhada por Praveen Neppalli Naga, diretor de tecnologia da companhia, durante o evento TechCrunch StrictlyVC San Francisco 2026, na Califórnia.
O objetivo central é suprir a carência de dados reais para o treinamento de sistemas de condução automatizada. Atualmente, o maior obstáculo para a evolução dos carros autônomos não é a tecnologia isolada, mas a dificuldade de acessar volumes massivos de informações sobre situações cotidianas, como cruzamentos movimentados, comportamento de pedestres, obras e fluxos irregulares de trânsito. Ao utilizar sua base de milhões de motoristas, a Uber substitui frotas de coleta reduzidas e onerosas por uma operação de escala global, captando cenários diversos em diferentes países e horários.
Essa iniciativa representa uma evolução do AV Labs, projeto iniciado no começo do ano que, até então, operava apenas com sensores em frotas próprias. Com a nova abordagem, a empresa deixa de focar exclusivamente na criação de veículos autônomos proprietários para se posicionar como uma plataforma de infraestrutura de dados. A companhia já colabora com cerca de 25 empresas do setor para organizar a chamada "nuvem de veículos autônomos", focada no treinamento de algoritmos que precisam interpretar o mundo físico fora de laboratórios.
A implementação do plano, no entanto, ainda depende de definições técnicas e jurídicas. A Uber precisa aprimorar o funcionamento dos sensores para essa operação ampliada e resolver entraves regulatórios sobre a coleta e o compartilhamento de dados, que variam conforme a cidade ou o país. Ainda não há um cronograma definido para a escala do projeto ou a quantidade de motoristas que serão integrados inicialmente.