UBTech lança o U1, primeiro robô humanoide fabricado em série com foco na interação social
A UBTech lançou em Shenzhen o U1, robô humanoide de interação social com pele de silicone e processamento de dados local. O dispositivo possui versões masculina e feminina, com preços entre 119.800 e 990.000 yuanes
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A UBTech lançou o U1, o primeiro robô humanoide fabricado em série com aparência humana, marcando a transição de máquinas industriais para dispositivos voltados à interação social. Apresentado em Shenzhen, o modelo se diferencia de assistentes robóticos comuns por possuir pele de silicone e a capacidade de manter conversas, estabelecer contato visual e processar emoções.
O hardware do U1 é composto por 88 servomotores distribuídos pelas articulações. Existem versões masculina, com 1,83 metro, e feminina, com 1,68 metro. O processamento de dados ocorre localmente por meio do chip Rockchip RK3588, o que dispensa a conexão com a internet para a interpretação de emoções e garante que as informações pessoais permaneçam armazenadas no próprio dispositivo, sem envio para servidores externos.
Apesar do avanço estético, o robô ainda apresenta limitações físicas. O movimento das articulações evidencia a presença de motores sob a pele e a inteligência emocional é baseada em reconhecimento de padrões e modelos de linguagem, e não em sentimentos reais. Jiao Jichao, vice-presidente da UBTech, destacou que a integração de sistemas mecânicos complexos em um corpo humano, sincronizando expressões faciais com a fala em larga escala, foi um dos principais desafios técnicos do projeto.
O modelo está disponível para compra exclusiva por adultos em três versões: Lite, custando 119.800 yuanes (cerca de 17.650 dólares), Pro e Ultra, que chega a 990.000 yuanes. A demanda inicial foi alta, com mais de um milhão de visitas na loja JD.com e 13.000 reservas efetuadas mediante um sinal de 3.000 yuanes (aproximadamente 442 dólares), com prazo de reserva até 15 de julho.
Diferente de projetos da Tesla e FigureAI, focados em armazéns e linhas de montagem, a UBTech aposta no uso doméstico e cotidiano, embora o ambiente residencial apresente desafios maiores do que o industrial devido à imprevisibilidade de móveis e a presença de crianças e animais. Para Zhou Jian, CEO da empresa, esses robôs serão a interface padrão de interação humana com a inteligência artificial.
O lançamento do U1 integra uma estratégia maior da China para acelerar a implementação da inteligência artificial física. Enquanto empresas como AgiBot e Unitree Robotics focam em logística, construção e alta tensão, o governo chinês, via Ministério do Comércio, impulsiona a adoção da tecnologia no varejo e em residências. Para isso, Pequim determinou que dez províncias criem 20 cenários de treinamento real cada, além de exigir que empresas estatais entreguem outros dez cenários em seis meses.
Para monitorar esse ecossistema, o governo chinês estabeleceu um documento nacional de identidade para controle de todos os robôs do país em tempo real. Esse movimento reflete a expectativa de crescimento do setor: o Morgan Stanley elevou a projeção de envios de humanoides chineses para 2026 de 28 mil para 50 mil unidades, estimando que esse número chegue a 446 mil anualmente até 2030.