Uso de inteligência artificial corporativa expõe conhecimentos estratégicos e dados proprietários a fornecedores de tecnologia
A dependência corporativa de IA expõe conhecimentos estratégicos a fornecedores, pois os modelos aprendem com dados proprietários e correções de usuários. Para mitigar riscos, empresas adotam camadas de orquestração e modelos abertos, que já representam 29% do tráfego na plataforma Vercel
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A adoção de inteligência artificial no ambiente corporativo criou uma dependência que ultrapassa os custos de licenças e consumo de tokens. O fluxo contínuo de consultas, correções e documentos inseridos nesses sistemas transforma o conhecimento estratégico de processos internos, clientes e produtos em ativos que ficam expostos aos fornecedores de tecnologia.
Satya Nadella, CEO da Microsoft, aponta que as organizações pagam pelo uso da IA de duas formas: financeiramente e por meio da entrega de informações valiosas que aprimoram o desempenho dos modelos. Para que uma ferramenta de IA generativa seja verdadeiramente útil, ela exige a absorção de um volume maior de conhecimento proprietário, alimentado por instruções de funcionários, conexão de aplicativos internos e compartilhamento de arquivos.
O risco do conhecimento institucional
O aprendizado dos modelos ocorre a partir dos chamados "resíduos", que incluem as correções feitas pelos usuários quando a IA comete erros. Esse processo transforma cada ajuste em conhecimento institucional, revelando nuances operacionais, critérios de decisão e exceções de negócio que seriam impossíveis de obter por outros meios e que possuem um valor estratégico imensurável para concorrentes.
Nadella também critica a contradição de desenvolvedores de modelos proprietários que utilizam dados públicos para treinamento, mas restringem a destilação — técnica que usa respostas de modelos avançados para treinar sistemas menores e mais econômicos.
Estratégias de autonomia e modelos abertos
Para mitigar a dependência de fornecedores únicos, a proposta é que as empresas mantenham a propriedade total de suas instruções, respostas e dados de uso. A solução envolve a implementação de:
- Ambientes de aprendizado próprios na nuvem;
- Camadas de orquestração que permitam a troca de fornecedores sem a necessidade de reconstruir toda a infraestrutura.
Essa arquitetura possibilita que a organização controle quais informações serão compartilhadas e qual sistema processará cada tarefa específica.
A tendência de migração para modelos abertos, instalados em infraestruturas próprias, já apresenta resultados práticos. Idit Levine, CEO da Solo.io, observa que essas alternativas podem entregar cerca de 90% das capacidades de grandes modelos, com custos reduzidos e maior controle. Como exemplo desse movimento, os modelos abertos foram responsáveis por 29% do tráfego gerenciado pela plataforma Vercel no último mês.