Virgin Galactic retoma vendas com preços mais altos, sem perder otimismo em voos espaciais
A Virgin Galactic retomou as vendas de passagens espaciais com preços mais altos, US$ 750 mil (R$ 3,9 milhões) cada uma. A empresa limitará a oferta inicial a apenas 50 assentos e espera manter os preços elevados para evitar saturação do mercado. Cerca de 650 clientes aguardam por voos espaciais em diferentes faixas de preço
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A Virgin Galactic retoma as vendas de passagens espaciais com preços mais altos, mas sem perder o otimismo. A empresa anunciou que apenas 50 assentos serão disponibilizados a um preço recorde de US$ 750 mil (R$ 3,9 milhões) por pessoa, um aumento significativo em relação aos US$ 600 mil (R$ 3,1 milhões) cobrados em 2023. Isso reflete não apenas os custos inflacionários e a estratégia de limitar a oferta inicial, mas também o desejo da empresa de manter seus preços altos para evitar saturação do mercado.
A companhia tem cerca de 650 clientes que aguardam por voos espaciais em diferentes faixas de preço. Essa base é considerada essencial para as operações financeiras, especialmente num momento delicado. A empresa também sinalizou que os primeiros voos comerciais, previstos para o último trimestre de 2026, terão preços ainda mais elevados.
A Virgin Galactic está em uma transição estratégica para a nova geração de espaçonaves, chamada Classe Delta. Essas novas naves são projetadas para serem mais eficientes e permitir maior frequência de voos. O cronograma atual prevê o início dos testes de voo da primeira dessas novas naves no terceiro trimestre de 2026.
A empresa também está trabalhando em uma aeronave de lançamento chamada Eve, que foi aprimorada para suportar entre 12 e 15 missões mensais. A expectativa é que o veículo permaneça em operação até pelo menos 2032, enquanto novos sistemas de lançamento devem ser introduzidos a partir de 2030.
Mesmo com os preços mais altos, a Virgin Galactic enfrenta desafios financeiros significativos. Em 31 de dezembro de 2025, a empresa relatou US$ 338 milhões (R$ 1,76 bilhão) em caixa e um prejuízo líquido anual de US$ 279 milhões (R$ 1,46 bilhão). A companhia reconheceu que pode enfrentar dificuldades para manter suas operações caso não consiga gerar receita em breve.
2026 e 2027 são considerados anos decisivos para a viabilidade do modelo de negócios da Virgin Galactic. A empresa precisa cumprir seu cronograma de voos e converter a demanda projetada em receita efetiva. Se conseguir, o turismo espacial pode continuar sendo uma experiência exclusiva e lucrativa para os ricos; se não, a proposta original de democratizar o acesso ao espaço poderá ser apenas um sonho distante.
A decisão de Richard Branson de não investir mais recursos na empresa reforça a necessidade da auto-sustentação financeira. Com preços mais altos e tecnologia em transição, a Virgin Galactic aposta que o fascínio pelo espaço continuará forte o suficiente para sustentar seu modelo – ao menos entre aqueles dispostos a pagar centenas de milhares de dólares por alguns minutos além da atmosfera terrestre.