Vivaldi surge como alternativa de navegador que desativa nativamente as funções de inteligência artificial
O navegador Vivaldi desativa nativamente funções de inteligência artificial e bloqueia a coleta de dados para treinamento de modelos. Outras opções como Waterfox e Librewolf focam em privacidade, enquanto Chrome, Edge, Firefox, Safari e Opera exigem ajustes manuais para remover a IA. Buscadores como DuckDuckGo, Brave, Metacrawler e DogPile permitem ocultar resultados sintéticos
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A onipresença da inteligência artificial (IA) tornou-se a estratégia central das grandes empresas de tecnologia, que integraram a ferramenta a quase todos os seus processos para evitar a obsolescência. Nos navegadores de internet, essa tendência evoluiu de simples botões de chatbots para resumos automáticos e assistentes onipresentes que sugerem ações sem a solicitação do usuário, muitas vezes priorizando conteúdos sintéticos em detrimento de links originais e fontes confiáveis.
Nesse cenário, o Vivaldi surge como uma alternativa radical para quem busca a ausência de IA. Baseado no Chromium e liderado por Jon Stephenson von Tetzchner — ex-CEO da Opera —, o navegador desativa nativamente resumos automáticos, resultados sintéticos e chatbots. A ferramenta bloqueia a coleta de dados por sistemas de IA, impedindo que as atividades de navegação sejam enviadas a empresas como Google ou OpenAI para treinamento de modelos de linguagem. Apesar disso, o usuário mantém a liberdade de acessar IAs como ChatGPT, Claude, Copilot ou Gemini via web ou extensões. O Vivaldi também se destaca pela alta personalização da interface e a integração de VPN (via ProtonVPN), leitor de RSS, cliente Mastodon e gerenciador de e-mails.
Para usuários que priorizam a privacidade extrema e a ausência de telemetria, o Waterfox e o Librewolf, ambos derivados do Firefox, são as opções recomendadas. O Librewolf inclui bloqueador de conteúdo nativo, enquanto o Waterfox oferece criptografia de DNS e a possibilidade de abrir abas em janelas principais, ambos bloqueando pop-ups e a personalização de anúncios.
Já nos navegadores mais populares, a remoção da IA exige ajustes manuais, variando conforme a plataforma:
No Google Chrome, a empresa implementou o download automático de um arquivo de 4 GB chamado "weights.bin" — uma versão compacta do modelo Gemini — para acelerar funções como assistente de escrita e resumos de abas. Para eliminar esse arquivo, é necessário desativar a opção "IA no dispositivo" em configurações de sistema. Outras funções de IA podem ser desativadas acessando "chrome://flags" e desabilitando os serviços relacionados.
No Microsoft Edge, a integração é mais profunda. A Microsoft removeu o modo Copilot para torná-lo parte integrante do navegador, impossibilitando sua desativação completa. O sistema agora analisa textos, compara abas e traduz páginas com base no histórico de navegação do usuário.
No Firefox, a Mozilla introduziu recentemente um controle unificado em "Configurações/Controles de IA", permitindo bloquear todas as melhorias de IA generativa, como sugestões de abas e resumos. No Safari, a IA está vinculada ao Apple Intelligence e pode ser desligada no menu geral do dispositivo. No Opera, a IA Aria pode ser desativada individualmente através do menu de configurações.
É importante notar que a desativação de funções do navegador não remove os resumos de IA dos mecanismos de busca. No Google Gemini, por exemplo, a remoção definitiva de resultados sintéticos nas buscas não é possível, restando ao usuário utilizar a aba "Web" para retornar aos resultados tradicionais.
Para eliminar a IA das buscas de forma efetiva, a alternativa é migrar para mecanismos de busca específicos. O DuckDuckGo e o Brave permitem ocultar resultados gerados por IA em suas configurações. Já os metabuscadores Metacrawler e DogPile oferecem uma experiência minimalista, compilando links de diversos motores de busca sem a interferência de conteúdos sintéticos.