Worldcoin enfrenta restrições globais por coletar dados biométricos de íris em troca de criptomoedas
A World, antiga Worldcoin, sofre restrições e suspensões em países como Espanha, Quênia e Hong Kong devido à coleta de biometria de íris via dispositivos orb. Reguladores questionam a segurança dos dados e o consentimento dos usuários que recebem criptomoedas em troca das informações. A empresa nega irregularidades e defende a preservação da privacidade
A Worldcoin, projeto agora rebatizado como World, enfrenta uma crise global de privacidade após a implementação de um sistema de identificação baseado no escaneamento de íris. A iniciativa utilizava um dispositivo esférico metálico, chamado de *orb*, para coletar dados biométricos dos usuários em troca de criptomoedas, com o objetivo de criar uma prova de humanidade digital para combater perfis falsos, golpes e a proliferação de robôs no ambiente virtual.
A operação tornou-se alvo de restrições severas em diversos países. A Espanha proibiu temporariamente os escaneamentos, enquanto Hong Kong e outras jurisdições impuseram limitações ao projeto. No Quênia, a Worldcoin foi suspensa e submetida a uma investigação detalhada. Essas medidas refletem a preocupação de reguladores sobre a natureza sensível dos dados coletados, já que, diferentemente de senhas ou cartões, a íris é uma característica física imutável, tornando qualquer vazamento ou uso indevido irreversível.
O ponto central do conflito reside no consentimento e na compreensão dos usuários sobre a troca de informações biológicas por ativos digitais. Órgãos de proteção de dados questionam se as pessoas que formavam filas para o escaneamento estavam plenamente cientes dos riscos envolvidos ao entregar um dado único do corpo.
Em resposta às sanções, Jannick Preiwisch, responsável pela proteção de dados da Worldcoin, afirmou que a autoridade espanhola estaria contornando a legislação da União Europeia e disseminando informações imprecisas sobre a tecnologia da empresa. A companhia defende que seu sistema preserva a privacidade dos usuários, embora governos mantenham a posição de que a coleta de biometria em larga escala representa um risco elevado.
A repercussão do caso, detalhada em apuração da AP News, evidencia o choque entre a inovação tecnológica e a segurança de dados íntimos. O episódio transforma a esfera metálica da Worldcoin em um símbolo do debate sobre a governança de informações biométricas e os limites da entrega de dados físicos em troca de recompensas financeiras.