Tecnologia

Xangai inaugura o primeiro centro de dados submarino do mundo em operação comercial

20 de Maio de 2026 às 18:10

Xangai inaugurou o primeiro centro de dados submarino comercial do mundo, desenvolvido pela HiCloud Technology com investimento de 226 milhões de dólares. A instalação utiliza refrigeração passiva por água do mar e energia de aerogeradores para operar 2.000 servidores. O projeto reduz o consumo elétrico em 22,8% e a necessidade de espaço terrestre em mais de 90%

Xangai inaugura o primeiro centro de dados submarino do mundo em operação comercial
Tang Fei/China Daily

Xangai agora abriga o primeiro centro de dados submarino do mundo em operação comercial, localizado na costa de Lingang. Desenvolvido pela HiCloud Technology com um investimento de 226 milhões de dólares, o projeto visa solucionar a escassez de espaço para servidores e reduzir drasticamente os custos energéticos de infraestruturas de processamento.

A instalação está posicionada entre as fases um e dois do parque eólico marinho de Lingang. A estrutura consiste em módulos resistentes à pressão da água que abrigam cerca de 2.000 servidores. Para evitar a dependência da rede elétrica terrestre, as unidades são conectadas diretamente a um aerogerador, que fornece a energia necessária para o funcionamento do sistema.

O cronograma do projeto teve início em junho de 2025, com a construção finalizada em outubro do mesmo ano. Após a conclusão de testes iniciais no começo de 2026, a operação entrou em pleno funcionamento na última semana. A capacidade energética, que começou como um protótipo de 2,3 MW, foi expandida para 24 MW. Esse volume de energia sustenta grupos de GPUs de clientes como o provedor LinkWise e a China Telecom, processadores especializados no desenvolvimento de modelos de linguagem de grande escala (LLM), anotação de dados e processamento de imagens de inteligência artificial na China.

O diferencial tecnológico reside na refrigeração passiva, que utiliza a água do mar para dissipar o calor. O sistema de refrigeração por placa base absorve o ar quente dos servidores e converte o refrigerante em tubos de cobre de líquido para gás. Devido à flutuabilidade, o gás sobe para a camada de resfriamento do módulo superior, troca calor com o oceano através de um trocador e retorna ao estado líquido, sendo devolvido à sala de servidores pela gravidade. Esse ciclo elimina a necessidade de bombas, compressores e consumo de eletricidade para climatização.

Em termos de eficiência, o design submarino reduz o consumo elétrico em 22,8%, elimina o uso de água doce e diminui a necessidade de espaço em terra em mais de 90%. O índice de eficiência energética (PUE) do centro de Xangai é de aproximadamente 1,15, valor significativamente superior aos centros de dados empresariais tradicionais, que costumam operar com PUE de 1,5 ou mais.

Embora a Microsoft tenha testado cápsulas submersas na Califórnia em 2015 e nas Ilhas Orcadas, na Escócia, em 2018 — observando inclusive menores taxas de falha de hardware devido à ausência de umidade e oxigênio —, a empresa encerrou o projeto Natick em 2024 sem chegar à fase comercial. A China optou por avançar nessa direção, apesar de riscos logísticos como a corrosão salina, a vedação contra a pressão, a integridade de cabos submarinos e a dificuldade de acesso físico para manutenção.

Paralelamente à infraestrutura submarina, surgem outras alternativas para a alocação de GPUs. Nos Estados Unidos, há propostas para a criação de centros de dados orbitais que utilizariam energia solar contínua, com a expectativa de que superem os custos terrestres em 10 ou 20 anos, embora enfrentem barreiras como o custo de lançamentos e a complexidade de atualizações.

Outra frente de inovação foca na redução do consumo de energia via software. A China desenvolve modelos de IA generativa mais eficientes, como o Deepseek, que consome quase metade da energia do ChatGPT para entregar desempenho similar. No Instituto de Automação da Academia China de Ciências, em Pequim, foi criado o SpikingBrain 1.0. Baseado no funcionamento do cérebro humano, o sistema processa informações apenas mediante estímulos, exigindo menos dados e consumindo significativamente menos energia que os modelos tradicionais.

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