Mais de 12 mil Trabalhadores Ambulantes em São Paulo Vivem com Renda Mínima e Condições Precárias de Trabalho
A cidade de São Paulo abriga 12.671 trabalhadores ambulantes em 12.377 bancas de vendas, sendo mais da metade negros ou pardos e um terço imigrantes vindos de 30 nacionalidades distintas. A maioria enfrenta condições precárias de trabalho sem autorização prévia da prefeitura e com renda menor do que a média dos trabalhadores paulistanos, recebendo R$ 3 mil por mês em média
Trabalhadores Ambulantes São Paulenses Vivem em Condições Precárias de Trabalho e Renda Mínima
Um estudo inédito do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) revelou que a cidade de São Paulo abriga pelo menos 12.671 trabalhadores ambulantes, espalhados por 12.377 bancas de vendas em diferentes regiões da capital.
A pesquisa destaca que grande parte desses trabalhadores enfrentam longas jornadas de trabalho sem autorização prévia da prefeitura e com renda menor do que a média dos trabalhadores paulistanos. A maioria é composta por homens entre 31 e 50 anos, sendo mais da metade negros ou pardos.
O estudo também apontou que cerca de um terço desses ambulantes são imigrantes, vindos de 30 nacionalidades distintas, principalmente da América do Sul. Eles estão em situação ainda mais precarizada que os demais trabalhadores ambulantes.
Um dos principais problemas enfrentados pelos trabalhadores é a falta de direito ao trabalho em via pública, assegurado apenas para menos de 40% da categoria. A maior parte (56%) trava sem permissão do Poder Público e 80% expressaram interesse em adquirir autorização, mas encontram dificuldade por causa dos altos custos ou burocracia.
Além disso, as jornadas de trabalho são mais extensas para os ambulantes, com cerca de 44% trabalhando além do limite máximo permitido pela legislação brasileira. A remuneração média é de R$ 3 mil por mês, pouco mais da metade dos ganhos obtidos pelos demais ocupados na capital.
A pesquisa também revelou que as roupas são a principal mercadoria comercializada pelos ambulantes (55%), seguidas por alimentos preparados para consumo imediato. O levantamento foi realizado em julho e agosto do ano passado, ouvindo 2.772 trabalhadores espalhados por 70 áreas de grande concentração de ambulantes na capital paulista.
O estudo destaca que o trabalho ambulante não é uma atividade transitória, mas sim um ofício que as pessoas levam sua vida nessa atividade econômica. Isso reforça a necessidade de políticas públicas para regular e proteger os direitos desses trabalhadores.
A pesquisa do Dieese aponta também para a importância da regulamentação das condições de trabalho dos ambulantes, incluindo o direito ao trabalho em via pública, redução das jornadas extensas e melhoria na remuneração. Além disso, é fundamental criar mecanismos que facilitem a obtenção de autorização para trabalhar nas ruas.
A cidade de São Paulo tem uma grande população de ambulantes, mas eles enfrentam condições precárias de trabalho e renda mínima. É hora da prefeitura e do governo federal implementarem políticas eficazes para proteger os direitos desses trabalhadores e melhorar sua qualidade de vida.
A pesquisa é um alerta importante sobre a necessidade de mudanças nas políticas públicas que regulamentam o trabalho ambulante. É hora da sociedade civil, dos sindicatos e das organizações não governamentais se unirem para pressionar as autoridades a implementarem soluções efetivas para melhorar as condições de vida desses trabalhadores.
O estudo do Dieese é um passo importante na direção certa. Agora, é hora da ação concreta e das políticas públicas que realmente melhem o destino dos ambulantes paulistanos.