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Cenipa aponta falhas técnicas e negligência na manutenção como causas da queda da Voepass

24 de Julho de 2026 às 06:10

O Cenipa concluiu que a queda do turboélice da Voepass em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas, ocorreu por falhas técnicas, negligência na manutenção e cultura organizacional de omissão de problemas. A investigação apontou a falha no sistema de degelo e a demora da tripulação em reagir ao acúmulo de gelo na aeronave

Cenipa aponta falhas técnicas e negligência na manutenção como causas da queda da Voepass
© DIVULGAÇÃO/CENIPA

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a queda do turboélice ATR-72 212A da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024, foi resultado de uma combinação de falhas técnicas, negligência na manutenção e uma cultura organizacional que normalizava a omissão de problemas nos voos. O acidente, que vitimou 62 pessoas, incluindo quatro tripulantes, aconteceu em Vinhedo (SP), enquanto a aeronave realizava a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).

Falhas na manutenção e cultura organizacional

As investigações do Cenipa revelaram que a empresa possuía a prática de ignorar alertas de sistema e não reportar falhas em registros de bordo. A análise de 15 mil voos da companhia identificou que 1.674 apresentaram alertas de degradação de performance, incluindo um episódio de perda de controle que jamais foi informado às autoridades.

Essa cultura de "normalização de desvios" estendia-se às tripulações, que frequentemente desligavam alertas de sistema sem a devida notificação. No âmbito técnico, foram detectadas fragilidades graves na manutenção: mecânicos relataram a troca de componentes defeituosos entre diferentes aeronaves, que eram liberadas para voo mesmo com peças em falha.

O acúmulo de gelo e a pane nos sistemas

Durante o voo fatal, o sistema de bordo alertou repetidamente sobre o acúmulo de gelo na fuselagem e avisou, por oito vezes, que a velocidade da aeronave estava caindo devido ao peso do gelo. Embora o sistema de degelo tenha sido acionado, ele apresentou falha e foi desligado pelos pilotos, sem que houvesse alteração no plano de voo.

De acordo com as normas técnicas, o procedimento correto exigiria o reinício do sistema ou, em caso de nova falha, a descida para níveis de voo com temperaturas menos extremas, o que não foi executado. Além disso, a aeronave operava com problemas nos limpadores de para-brisa, o que a restringia a voar apenas em condições sem chuva e sem previsão de precipitação em janelas de uma hora antes da decolagem e após o pouso.

Fatores humanos e a perda de controle

A análise do componente humano indicou que a tripulação demorou a reagir aos alertas. O copiloto chegou a avisar o piloto sobre o esquecimento de ligar o sistema de degelo e, minutos antes da queda, mencionou a grande quantidade de gelo na aeronave.

A saturação de informações no momento crítico — que envolvia a gestão do gelo, a descida e a comunicação com a torre de comando para autorização de pouso — comprometeu a capacidade de reação dos pilotos. A soma da demora na liberação para o pouso, as falhas sistêmicas e a resposta tardia da tripulação levou a aeronave a entrar em rotação em parafuso, culminando na colisão com o solo.

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