Estudo revela abismo na qualidade de vida entre municípios do Norte e do Sul do Brasil
Levantamento do Imazon e parceiros aponta disparidade na qualidade de vida entre municípios brasileiros em 2026, com melhores índices no Sul e Sudeste e piores no Norte e Nordeste. O estudo utilizou o Índice de Progresso Social, destacando a dimensão de Oportunidades como a de menor desempenho nacional
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Um novo levantamento divulgado nesta quarta-feira (20) pelo instituto Imazon, em conjunto com a Fundação Avina, a Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative, revela a disparidade na qualidade de vida entre os 5.570 municípios brasileiros em 2026. O estudo evidencia um abismo regional: 18 das 20 cidades com os melhores indicadores estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto 19 das 20 com os piores desempenhos situam-se no Norte e no Nordeste.
A análise utiliza o Índice de Progresso Social (IPS), que se diferencia do Produto Interno Bruto (PIB) ao focar no impacto real dos investimentos na vida da população e no acesso a direitos e serviços básicos, em vez de mensurar apenas a riqueza gerada. Para isso, o índice processa dados de fontes públicas como IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas, fundamentando-se em 57 indicadores sociais e ambientais.
O desempenho nacional é dividido em três dimensões. A de Necessidades Humanas Básicas, que abrange saúde, alimentação, segurança, saneamento e moradia, obteve a melhor média do país, com 74,58 pontos, tendo o componente de Moradia como o destaque positivo, com 87,95 pontos. Já a dimensão Fundamentos do Bem-Estar registrou média de 68,81 pontos, englobando educação, qualidade ambiental e acesso à internet. Nesta categoria, o Acesso à Informação e Comunicação apresentou o maior crescimento entre 2025 e 2026, reflexo da expansão tecnológica. Em contrapartida, a Qualidade do Meio Ambiente apresentou os piores índices nos estados da Amazônia Legal, impactada por emissões de gases de efeito estufa, focos de calor e desmatamento.
A dimensão Oportunidades, que avalia liberdades pessoais, inclusão social, direitos individuais e acesso ao ensino superior, manteve-se como a de pior desempenho do Brasil, com média de 46,82 pontos. Os resultados mais baixos concentram-se em Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22). Esta última categoria apresenta declínio desde 2024, resultado do aumento de famílias em situação de rua, baixa representatividade política e violência contra minorias.
No agrupamento final dos municípios, o estudo classifica as cidades em nove níveis de desempenho. Em 2026, 706 municípios integraram o grupo de melhor avaliação, ao passo que 23 cidades foram enquadradas na faixa de desempenho mais crítica.