Ranking revela que as cidades com menor qualidade de vida no Brasil concentram-se no Norte e Nordeste
O Imazon e parceiros divulgaram o ranking de qualidade de vida de 5.570 municípios brasileiros para 2026, baseado no Índice de Progresso Social. O levantamento aponta concentração de melhores índices no Sul e Sudeste, enquanto as menores marcas estão no Norte e Nordeste. A média nacional foi de 63,40 pontos, com o menor desempenho na dimensão Oportunidades
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O instituto Imazon, em colaboração com a Fundação Avina, a Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative, divulgou nesta quarta-feira (20) o ranking de qualidade de vida dos 5.570 municípios brasileiros para 2026. O levantamento revela a persistência de profundas disparidades regionais: 18 das 20 cidades com os melhores índices estão localizadas no Sul e Sudeste, enquanto 19 das 20 com os piores desempenhos concentram-se no Norte e Nordeste.
A análise é fundamentada no Índice de Progresso Social (IPS), que utiliza 57 indicadores sociais e ambientais extraídos de bases públicas como IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas. Diferente do Produto Interno Bruto (PIB), que quantifica a riqueza produzida, o IPS monitora se esse capital se traduz em benefícios reais e acesso a direitos e serviços básicos para a população.
A média geral de qualidade de vida no Brasil foi de 63,40 pontos, marca superior à média do Nordeste, que registrou 58,05. O estudo estratificou as cidades em nove grupos de desempenho, posicionando 706 municípios na faixa de excelência e 23 na categoria mais crítica.
O índice é dividido em três dimensões principais. A de Necessidades Humanas Básicas, que abrange saúde, alimentação, segurança, saneamento e moradia, apresentou a melhor média nacional (74,58), com destaque positivo para o componente de Moradia, que atingiu 87,95 pontos. Já a dimensão Fundamentos do Bem-Estar, focada em educação, saúde, qualidade ambiental e conectividade, obteve média de 68,81. Nesta categoria, o Acesso à Informação e Comunicação foi o indicador com maior crescimento entre 2025 e 2026. Em contrapartida, a Qualidade do Meio Ambiente registrou os piores índices nos estados da Amazônia Legal, impactada por emissões de gases de efeito estufa, focos de calor e desmatamento.
O desempenho mais baixo do país ocorreu na dimensão Oportunidades, com média de 46,82 pontos. Este grupo, que engloba liberdades pessoais, inclusão social, direitos individuais e acesso ao ensino superior, mantém a tendência de resultados negativos de edições anteriores. Os índices mais críticos foram observados em Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22). No caso da Inclusão Social, a queda é constante desde 2024, resultado do aumento de famílias em situação de rua, baixa representatividade política e violência contra minorias.