Aquecimento global provoca oscilações bruscas entre secas e enchentes em rios de regiões temperadas
Estudo publicado na revista Earth's Future indica que o aquecimento global acelera a alternância entre secas extremas e enchentes em rios. Simulações em 698 bacias do Reino Unido mostram que o aumento de 4°C na temperatura pode elevar a frequência desses episódios de quatro para nove em 30 anos. O fenômeno exige a reformulação da gestão hídrica em regiões temperadas, como a Espanha
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O aumento das temperaturas globais está provocando oscilações bruscas no regime dos rios, que passam a alternar rapidamente entre estados de seca extrema e enchentes. O fenômeno, detalhado em estudo publicado na revista *Earth's Future*, indica que a velocidade dessas transições supera a capacidade de resposta dos sistemas tradicionais de prevenção, exigindo a reformulação da gestão hídrica, especialmente em regiões como a Espanha.
A dinâmica física do processo ocorre porque a atmosfera, ao aquecer, retém maior volume de umidade. Esse cenário potencializa chuvas intensas que, ao atingirem solos compactados e secos, não são absorvidas, resultando em maior escoamento superficial. O desdobramento imediato é a elevação do risco de erosão, inundações repentinas e a perda de qualidade da água.
A instabilidade também se manifesta na transição de períodos chuvosos para fases secas. A ocorrência de abundância hídrica prévia pode criar uma falsa percepção de segurança, o que compromete o planejamento de reservas e a agilidade das respostas de emergência diante de uma seca súbita.
Para analisar esse comportamento, pesquisadores simularam a evolução de 698 bacias hidrográficas no Reino Unido sob cenários de aquecimento de 2°C e 4°C. Os modelos apontaram um crescimento generalizado em ambos os tipos de oscilação. Em situações extremas, com o aquecimento de 4°C, a frequência de episódios poderia saltar de quatro para nove em um intervalo de 30 anos, tomando como referência o período entre 1981 e 2010.
Embora o estudo utilize o Reino Unido como caso de teste, os resultados são aplicáveis a outras regiões temperadas. Yi He, pesquisadora da Universidade de East Anglia e autora principal do trabalho, afirma que o planejamento contra inundações e secas não pode mais focar em eventos isolados, mas sim em sequências de extremos.
A adaptação climática agora depende da capacidade de armazenar água em fases úmidas e de implementar respostas flexíveis para secas inesperadas. Para países onde a gestão da água é estratégica, como a Espanha, o cenário indica que os rios enfrentarão mudanças mais intensas entre a escassez e a abundância.