Ciência

Astrônomos detectam projéteis gasosos em velocidades extremas na estrela V445 Puppis

22 de Julho de 2026 às 12:14

Astrônomos identificaram a expulsão de projéteis de oxigênio a 32 milhões de km/h na estrela V445 Puppis. O sistema binário, composto por uma anã branca e uma estrela de hélio, apresentou erupção no ano 2000. A análise utilizou dados do Telescópio Hubble, Very Large Telescope, Southern African Large Telescope e missão TESS

Astrônomos detectam projéteis gasosos em velocidades extremas na estrela V445 Puppis
Universidad de Warwick/John Mills

A estrela V445 Puppis, a única nova de hélio confirmada na Via Láctea, apresenta a expulsão de projéteis gasosos em velocidades extremas, um fenômeno inédito em observações de outros sistemas similares. A descoberta foi detalhada durante a Reunião Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society.

Os astrônomos detectaram aglomerados de gás, possivelmente compostos por oxigênio, que se deslocam a velocidades de até 32 milhões de km/h. Esses fragmentos estão inseridos em um fluxo bipolar massivo, resultante de uma explosão estelar, embora a mecânica de formação desses projéteis ainda não tenha sido compreendida.

Dinâmica do sistema binário

O sistema é composto por uma anã branca que absorve material de uma estrela de hélio — um tipo raro de astro que já perdeu sua camada externa de hidrogênio. Diferente da maioria das novas, que utilizam hidrogênio para alimentar suas reações, a V445 Puppis é totalmente desprovida desse elemento.

A erupção ocorreu no final do ano 2000, lançando detritos em ambas as direções do sistema binário e criando uma estrutura que ultrapassa 1,6 bilhão de quilômetros. A análise atual tornou-se possível porque a nuvem de poeira que envolvia o sistema perdeu densidade, permitindo a observação da origem da explosão.

Metodologia e monitoramento

Para mapear a configuração do sistema, o pesquisador John Mills, da Universidade de Warwick, integrou dados de múltiplas fontes tecnológicas:

  • Imagens ópticas do Telescópio Espacial Hubble;
  • Dados do Very Large Telescope;
  • Espectros do Southern African Large Telescope;
  • Medições da missão TESS, da NASA.

As medições revelam que as duas estrelas completam seu ciclo orbital a cada 3,7 dias.

Atualmente, o sistema retomou a transferência de matéria entre as estrelas. Esse processo, que pode desencadear novas erupções, é fundamental para que a ciência investigue a possível conexão entre as novas de hélio e as supernovas de tipo Ia.

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