Capim-buffel é considerado 'inimigo número um' do Deserto de Sonora nos EUA
O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos identificou o capim-buffel como a principal ameaça ao Deserto de Sonora, uma das regiões mais biodiversas da América do Norte. A planta africana foi introduzida nos anos 1940 e agora é considerada invasora agressiva no sudoeste dos Estados Unidos. Ela pode causar incêndios devastadores durante a estação seca devido ao material vegetal seco inflamável que produz
O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos identificou o capim-buffel como "o inimigo número um" do Deserto de Sonora, uma das regiões mais biodiversas da América do Norte. A planta africana foi introduzida nos anos 1940 com a intenção de recuperar áreas áridas e fixar solos pedregosos, mas acabou se tornando uma das invasoras mais agressivas do sudoeste dos Estados Unidos.
O capim-buffel cresce rapidamente em solo nu e pode atingir até 1,2 metro de altura. Suas raízes podem alcançar profundidades de até 2,5 metros, permitindo acesso à umidade subterrânea que muitas plantas nativas não conseguem atingir.
Durante a estação seca, o capim-buffel entra em dormência e se transforma em grandes massas de material vegetal seco altamente inflamável. Isso cria condições ideais para incêndios devastadores que podem alcançar temperaturas próximas de 760 °C.
Pesquisadores do USGS identificaram um ciclo ecológico preocupante associado ao capim-buffel: a planta elimina competidores, libera nutrientes no solo e favorece seu próprio crescimento. Esse ciclo cria incêndios cada vez maiores e mais frequentes.
O saguaro é uma espécie-chave do ecossistema do Deserto de Sonora, mas sua capacidade de regeneração após queimadas é limitada. Um incêndio severo pode levar até 150 anos para ser substituído por novos exemplares da planta.
O combate ao capim-buffel envolve aplicação de herbicidas e remoção manual, mas o ecólogo Perry Grissom afirma que a luta será contínua: "Vai ser um trabalho de manutenção para sempre."
A invasão do capim-buffel é considerada uma das transformações ecológicas mais rápidas já registradas no Deserto de Sonora. A planta ainda é comercializada em alguns estados como forragem agrícola, mas o estado do Arizona a classificou oficialmente como erva daninha nociva desde 2006.
A história do capim-buffel serve como um alerta sobre as consequências ambientais profundas de espécies introduzidas para fins produtivos. A luta contra essa planta invasora é apenas o começo, e a importância da conservação dos ecossistemas naturais não pode ser subestimada.
A expansão do capim-buffel no Parque Nacional Saguaro foi registrada entre 2012 e 2019. As áreas infestadas pela planta passaram de aproximadamente 185 acres para quase 800 acres. Sem controle contínuo, a invasão pode continuar de forma exponencial.
O combate ao capim-buffel envolve duas estratégias principais: aplicação de herbicidas e remoção manual. A remoção manual é mais eficaz quando o sistema radicular da planta está completamente removido, pois fragmentos podem rebrotar rapidamente. As sementes do capim-buffel também permanecem viáveis no solo por até quatro anos após a remoção.
O Parque Nacional Saguaro mantém programas de controle desde 1993 e diversas organizações ambientais participam da remoção da gramínea e da recuperação de áreas afetadas por incêndios.