Ciência

Descuberto o segredo cerebral de adultos que mantêm uma mente jovem após os 80 anos

12 de Março de 2026 às 15:11

Um estudo publicado na revista Nature identificou "superidos" com mais de 80 anos que mantêm memória ágil. A análise comparativa dos cérebros desses indivíduos revelou neurogénese ativa no hipocampo, região relacionada à memória e aprendizado. Os cientistas detectaram três fases na formação de novas neuronas nos superidos, em contraste com os outros grupos analisados

Descuberto o segredo cerebral de adultos que mantêm uma mente jovem após os 80 anos
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Um estudo recente publicado na revista Nature trouxe à tona um fenômeno intrigante: a existência de "superidos", adultos mais velhos que mantêm uma memória ágil e funções cognitivas intactas após os 80 anos. Para entender o que diferencia esses indivíduos, cientistas das universidades de Chicago, Northwestern e Washington analisaram amostras cerebrais obtidas após a morte de pessoas com diferentes níveis de saúde cognitiva.

A equipe liderada por investigadores dessas instituições comparou cinco perfis diferentes: adultos jovens saudáveis, idosos sem declínio cognitivo, superidos e pacientes com demência leve ou Alzheimer. O objetivo era identificar quais características celulares permitiam que alguns cérebros mantivessem uma atividade mental especialmente resistente ao envelhecimento.

Os resultados apontaram para o hipocampo, região chave do cérebro relacionada à memória e aprendizado. Nos superidos, os cientistas detectaram neurogénese ativa - a capacidade de gerar novas neuronas mesmo em idades avançadas -, algo muito menos frequente nos outros grupos analisados.

Para observar esses processos com grande precisão, a equipe utilizou sequenciamento multiômico de célula única. Com essa técnica, eles analisaram mais de 356 mil núcleos celulares do hipocampo e identificaram as diferentes etapas de desenvolvimento neuronal presentes em cada cérebro.

Os investigadores detectaram três fases na formação de novas neuronas: células progenitoras, neuronas imaturas e neuronas maduras. Enquanto os cérebros com Alzheimer ou demência apresentavam uma atividade quase inexistente nesse processo, os superidos mantinham uma renovação neuronal constante que favorece a memória.

O estudo também destacou o papel dos astrocitos e das neuronas CA1 nos circuitos de memória do hipocampo. Quando esses programas genéticos permanecem ativos, o cérebro pode conservar melhor as suas funções cognitivas durante o envelhecimento. Essa descoberta abre caminho para futuras pesquisas sobre como estimular a neurogénese e promover uma memória ágil em idades avançadas.

A análise dos cientistas revelou que esses "superidos" mantêm suas capacidades intelectuais, desafiando a tendência biológica do envelhecimento. O estudo sugere que o cérebro pode conservar melhor as funções cognitivas durante o envelhecimento se os programas genéticos ativos forem mantidos.

Os cientistas também destacaram que essa descoberta não apenas ajuda a entender como alguns adultos mais velhos conseguem manter uma mente jovem, mas também abre caminho para futuras pesquisas sobre como estimular a neurogénese e promover uma memória ágil em idades avançadas.

A pesquisa trouxe à tona um questionamento importante: o que acontece com esses "superidos" ao longo do tempo? E como é possível transferir essa capacidade de manter uma mente jovem para os demais indivíduos?

Essas perguntas permanecem sem resposta, mas a descoberta dos cientistas é um passo importante em direção à compreensão da memória e do envelhecimento.

Com informações de El Confidencial

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