Diferença entre idade biológica e cronológica pode elevar casos de câncer em pessoas jovens
Pesquisadores da Universidade de Washington identificaram que a diferença entre a idade biológica e a cronológica eleva o risco de câncer precoce em menores de 50 anos. O estudo, com dados de mais de 160 mil pessoas, aponta maior disparidade biológica em gerações recentes e aumento de tumores colorretais, endometriais e de medula óssea
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Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, identificaram que a disparidade entre a idade cronológica e a idade biológica pode ser um fator determinante para o aumento de casos de câncer precoce em pessoas com menos de 50 anos. Enquanto a idade cronológica representa o tempo de vida desde o nascimento, a biológica reflete o nível de desgaste dos processos de envelhecimento do organismo, que pode variar entre diferentes órgãos e tecidos de um mesmo indivíduo.
A descoberta estabelece, pela primeira vez, uma ligação entre esse descompasso temporal e o desenvolvimento de tumores em jovens. O estudo, de caráter correlacional, reforça a premissa de que o envelhecimento biológico acelerado aumenta a suscetibilidade à doença.
Aumento de incidência em jovens
Embora o câncer seja predominantemente associado à terceira idade — com média de aparecimento aos 69 anos, devido à falha natural dos sistemas de reparo do DNA —, há um crescimento notável em diagnósticos precoces. O Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ) registrou alta na incidência de câncer colorretal em pessoas entre 20 e 39 anos na Alemanha, tendência que se repete com índices ainda maiores nos Estados Unidos. Além do colorretal, observa-se maior frequência de tumores no endométrio e na medula óssea em populações jovens.
Dados analisados revelam que indivíduos nascidos na década de 1990, em países como Canadá, Austrália, Reino Unido e EUA, possuem um risco ao menos quatro vezes maior de desenvolver câncer colorretal precocemente do que aqueles nascidos nos anos 1960.
Metodologia e análise de dados
Para chegar a esses resultados, os cientistas utilizaram dados de mais de 150 mil pessoas do UK Biobank, no Reino Unido, e um grupo de dez mil indivíduos nos EUA. A análise demonstrou que a diferença entre a idade real e a biológica é significativamente maior nas gerações mais novas:
- Pessoas nascidas entre 1965 e 1974 apresentam maior disparidade biológica do que as nascidas entre 1950 e 1954.
- A diferença é ainda mais acentuada em indivíduos nascidos entre 1990 e 1999, quando comparados aos nascidos entre 1965 e 1969.
A determinação da idade biológica é complexa e exige a combinação de diversos métodos, como testes epigenéticos para medir alterações químicas no DNA, análise do comprimento dos telômeros (proteções dos cromossomos), exames de valores sanguíneos, avaliações cognitivas e testes de funções orgânicas.
Fatores de risco e prevenção
A ciência indica que a idade biológica é influenciada por dois pilares: 50% de determinação genética e 50% de fatores externos. A aceleração do envelhecimento em jovens estaria ligada a hábitos contemporâneos, como o sedentarismo, a qualidade inferior do sono devido ao uso de telas e o desenvolvimento precoce de obesidade.
Para retardar esse processo, são recomendadas intervenções no estilo de vida, incluindo:
- Prática regular de exercícios físicos;
- Manutenção de uma dieta saudável;
- Higiene do sono;
- Abstenção de álcool e drogas;
- Manutenção de vínculos sociais.
Perspectivas clínicas
Atualmente, a medição da idade biológica é restrita à pesquisa científica e não é aplicada na rotina de consultórios médicos. No entanto, especialistas apontam que essa linha de investigação é promissora para o futuro da oncologia, podendo orientar novas formas de intervenção e prevenção.
A atenção aos sinais do corpo é fundamental, especialmente no caso de pólipos no cólon, que podem evoluir para quadros cancerígenos se não forem tratados precocemente.