Ciência

Estromatólitos: Primeiros Indícios de Vida Em Águas Rasas e Hipersalinas no Oeste Australiano Descobertos por Cientistas

13 de Março de 2026 às 15:14

Cientistas encontram indícios de vida em águas rasas e hipersalinas no oeste australiano. Na Baía Shark, surgem estromatólitos formados por colônias de cianobactérias que registram história da vida no planeta há bilhões de anos. Esses ecossistemas são considerados Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1991 e enfrentam riscos com a mudança climática e urbanização local

Em uma das áreas mais remotas do oeste australiano, está se formando algo incrível: os primeiros indícios de vida em águas rasas e hipersalinas. Na Baía Shark, localizada na costa oeste da Austrália, surgem estruturas calcárias chamadas estromatólitos. Esses fenômenos naturais são criados por colônias de cianobactérias fotossintetizantes e registram a história mais contínua da vida no planeta.

Os cientistas afirmam que essas estruturas surgem quando as cianobactérias aprisionam grãos de sedimento usando uma espécie de cola biológica. Durante a fotossíntese, elas também precipitam carbonato de cálcio, formando camadas que crescem progressivamente e criam estruturas em forma de cúpulas.

Mas o impacto dos estromatólitos vai além da geologia. Eles estão diretamente ligados à transformação da atmosfera terrestre ao longo da história do planeta. Durante bilhões de anos, as cianobactérias presentes nesses sistemas realizaram fotossíntese oxigênica, utilizando água e liberando oxigênio molecular como subproduto.

Essa mudança na atmosfera terrestre desencadeou o chamado Grande Evento de Oxigenação (GOE), que ocorreu há 2,4 bilhões de anos. Esse evento causou uma extinção em massa de formas de vida anaeróbias e permitiu o surgimento da camada de ozônio e abriu caminho para a evolução da vida complexa.

Os estromatólitos atuais do Hamelin Pool não são apenas blocos de calcário. Eles funcionam como ecossistemas estratificados, com diferentes comunidades microbianas organizadas verticalmente de acordo com a disponibilidade de oxigênio. A zona superior é dominada por cianobactérias fotossintetizantes, que são responsáveis pela produção ativa de oxigênio.

A descoberta desses ecossistemas tem implicações importantes para a ciência moderna. Além disso, as pesquisas recentes divulgadas pelos National Institutes of Health apontam que cientistas isolaram uma nova cepa de Acaryochloris nesses ambientes. Essa bactéria é capaz de viver sob luz infravermelha próxima, revelando adaptações incomuns da vida microbiana.

Mas os estromatólitos enfrentam novos desafios com a mudança climática e a urbanização da costa australiana podem alterar o equilíbrio da lagoa. Alterações na salinidade e na qualidade da água representam risco direto ao sistema biológico.

A região foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1991 devido à sua importância científica e raridade, abrigando um dos registros mais antigos da vida na Terra.

Com informações de Click Petróleo e Gás

Notícias Relacionadas