Estudo de arqueologia forense confirma que Tumba I em Vergina pertence a Filipe II da Macedônia
Estudo de arqueologia forense confirmou que a Tumba I em Aigai pertence a Filipe II da Macedônia, sua esposa Cleópatra e um recém-nascido. A análise redistribuiu os ocupantes do sítio, atribuindo a Tumba II a Filipe III Arrideu e a rainha Adea Eurídice, e a Tumba III a Alexandre IV

Uma investigação internacional de arqueologia forense encerrou um debate acadêmico iniciado em 1977 sobre a identidade dos ocupantes das tumbas reais em Aigai, na cidade de Vergina, Grécia. O estudo, publicado no *Journal of Archaeological Science*, confirmou que a Tumba I abriga os restos mortais de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre o Grande, acompanhado de sua esposa Cleópatra e de um recém-nascido.
A identificação de Filipe II, figura responsável por unificar as cidades-estado e transformar a Macedônia em uma potência política e militar antes de sua morte em 336 a.C., foi possível graças à análise de uma fusão óssea no joelho. Essa característica biológica é compatível com registros históricos que descrevem a claudicação grave do monarca após ter sido ferido em combate.
O trabalho foi coordenado por Antonis Bartsiokas, professor de antropologia da Universidade Demócrito da Trácia. A equipe utilizou dissecações forenses de alta precisão e exames de raios-X para decodificar sinais biológicos nos ossos da dinastia macedônia, permitindo a correção de atribuições anteriores.
A nova análise reorganizou a distribuição dos ocupantes no complexo funerário. A Tumba II, que por anos foi associada a Filipe II, foi atribuída a Filipe III Arrideu, meio-irmão de Alexandre, e sua esposa, a rainha Adea Eurídice. As evidências osteológicas no corpo de Arrideu indicam a prática de rituais de poder e atividades físicas intensas. Já a Tumba III foi identificada como o local de sepultamento de Alexandre IV da Macedônia, filho e herdeiro de Alexandre o Grande, que teria sido vítima de disputas internas na corte.
Com a definição dos ocupantes, o sítio arqueológico — descoberto originalmente por Manolis Andronikos — passa a reunir três gerações da linhagem de Alexandre: Filipe II, Filipe III Arrideu e Alexandre IV. A convergência entre dados históricos e técnicas modernas de análise óssea permitiu preencher lacunas sobre a sucessão da dinastia macedônia e a localização exata de cada personagem histórico dentro do conjunto de tumbas de Aigai.