Ciência

Estudo indica que duas estrelas de um sistema binário podem ter se tornado supernovas

21 de Julho de 2026 às 15:28

Estudo na revista Nature Communications indica que as estruturas IC 443 e G189.6+3.3, a 6 mil anos-luz da Terra, podem ter sido originadas por duas estrelas de um sistema binário que explodiram como supernovas. Dados do telescópio Fermi sugerem que as detonações ocorreram com intervalos entre 20 mil e 100 mil anos

Estudo indica que duas estrelas de um sistema binário podem ter se tornado supernovas
NASA Goddard e M. Michailidis et al. (2026).

Um estudo publicado nesta terça-feira (21) na revista Nature Communications indica que duas estrelas que compunham um mesmo sistema podem ter terminado seus ciclos de vida como supernovas, um fenômeno de explosão massiva que ocorre quando estrelas maiores que o Sol esgotam seu combustível e colapsam.

A investigação focou nos remanescentes conhecidos como IC 443, a Nebulosa da Água-viva, e G189.6+3.3, localizados a aproximadamente 6 mil anos-luz de distância da Terra. O objetivo era determinar se a proximidade dessas estruturas no céu era apenas visual ou se existia uma conexão física entre elas.

Análise de dados e evidências espaciais

Para solucionar a questão, a equipe de pesquisa utilizou um conjunto de dados acumulados ao longo de 16 anos pelo telescópio espacial Fermi, da NASA, cruzando essas informações com imagens capturadas em diferentes espectros de luz. A análise revelou que ambos os restos estelares ocupam a mesma região do espaço e estão a uma distância similar do nosso planeta.

Esses indícios sugerem que as estrelas formavam um sistema binário, no qual dois astros permanecem ligados pela força da gravidade desde o nascimento.

Cronologia das explosões

As estimativas apontam que as detonações não foram simultâneas, refletindo ritmos de evolução distintos, mesmo para estrelas nascidas juntas. A estrela que originou a estrutura G189.6+3.3 teria explodido entre 20 mil e 100 mil anos antes daquela que deu origem à IC 443.

Para validar a viabilidade desse cenário, foram realizadas simulações computacionais de um milhão de sistemas binários. Os resultados confirmaram que pares de estrelas podem, de fato, gerar duas supernovas com intervalos de dezenas de milhares de anos, deixando detritos próximos uns dos outros.

Impacto da descoberta

Embora as evidências sejam robustas, os cientistas ainda classificam o sistema como um candidato, aguardando novas observações para a confirmação definitiva. O estudo permitiu, inclusive, a melhor caracterização da G189.6+3.3, que anteriormente era ofuscada pelo brilho superior da IC 443. Os dados agora comprovam que ela é uma estrutura independente que interage com a matéria ao seu redor.

A confirmação desse vínculo permitirá compreender melhor a evolução estelar de estrelas massivas que vivem em pares, servindo como um registro histórico de duas mortes astronômicas conectadas.

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