Estudo indica que o Sol possui 55% mais prata do que se acreditava anteriormente
Pesquisadores da Universidade de Uppsala constataram que o Sol contém cerca de 55% mais prata do que se estimava. O estudo, publicado na Astronomy & Astrophysics, utilizou o supercomputador Tetralith e a técnica de espectroscopia para alinhar a composição solar à de meteoritos primitivos
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Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriram que o Sol possui aproximadamente 55% mais prata do que as estimativas anteriores indicavam. O estudo, publicado em 17 de julho na revista Astronomy & Astrophysics, resultou da aplicação de um modelo atmosférico solar mais detalhado para recalcular a presença desse elemento na estrela.
Embora a massa solar seja composta majoritariamente por hidrogênio e hélio, cerca de 1,5% de sua composição é formada por elementos pesados, incluindo ferro, carbono e prata. Esses componentes são essenciais para a ciência pois servem como registros da história química do universo, já que são gerados no interior de estrelas e em supernovas antes de integrarem novas gerações de planetas e astros.
Metodologia e Tecnologia
Para chegar a esse novo número, a equipe utilizou a espectroscopia, técnica que identifica a "impressão digital" de cada elemento químico através de linhas espectrais — marcas escuras deixadas no espectro de luz quando átomos da atmosfera solar absorvem comprimentos de onda específicos.
A precisão do cálculo foi viabilizada pelo uso do supercomputador sueco Tetralith, que permitiu a implementação de um modelo mais sofisticado. As principais melhorias técnicas incluem:
- Simulação dinâmica das camadas externas do Sol;
- Cálculos aprimorados de física atômica para capturar a interação da prata com a luz e outras partículas;
- Inclusão de efeitos de não equilíbrio, onde a radiação influencia diretamente os átomos que geram as linhas espectrais.
Alinhamento com Registros Cósmicos
A nova medição resolve uma divergência histórica na astronomia. Até então, a quantidade de prata detectada no Sol era consideravelmente inferior à encontrada em meteoritos primitivos.
Como ambos se originaram há cerca de 4,6 bilhões de anos a partir da mesma nuvem de gás e poeira, a expectativa científica era de que apresentassem abundâncias semelhantes. Com a revisão dos dados, os valores do Sol agora coincidem com os dos meteoritos.
Sema Caliskan, pesquisadora do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Uppsala e signatária do estudo, destaca que a compreensão detalhada da composição solar é fundamental para interpretar a formação de outros planetas, estrelas e da matéria cósmica. A equipe planeja aplicar a mesma metodologia em estrelas de diversas idades e tipos para mapear a produção e a distribuição de prata na Via Láctea.