Estudo revela que impacto de tempestades solares extremas na Terra pode ser duas vezes maior
Estudo da NASA e Universidade de Lancaster publicado na Nature indica que a Terra não possui limite natural para atenuar atividades solares extremas. A pesquisa revelou que o impacto de tempestades geomagnéticas pode ser duas vezes maior que o previsto
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Um estudo publicado na revista Nature revelou que a ciência subestimou sistematicamente a potência das atividades solares extremas. A pesquisa, conduzida por especialistas da NASA e da Universidade de Lancaster, demonstrou que a crença de que a Terra possuiria um limite natural para atenuar os impactos de eventos espaciais intensos era, na verdade, fruto de um erro matemático.
A falha na medição do clima espacial
Durante décadas, a comunidade científica observou que, em tempestades solares gigantescas, a perturbação geomagnética parecia parar de crescer, fenômeno conhecido como "saturação". Acreditava-se que o campo eletromagnético terrestre possuía uma barreira de resistência. No entanto, os pesquisadores Nithin Sivadas e Maria-Theresia Walach provaram que essa saturação era apenas uma ilusão estatística chamada regressão à média.
O problema residia na origem dos dados. As medições eram feitas por naves no ponto de Lagrange 1, a cerca de 1,6 milhões de quilômetros da Terra. O estudo comprovou que, em eventos extremos, as leituras desse ponto geravam incertezas estatísticas. Quando o plasma supercarregado atingia a ionosfera, a força real era ajustada para a média, mascarando a intensidade do impacto.
Para corrigir essa percepção, a equipe analisou mais de um milhão de dados de satélites em órbita terrestre baixa. A análise revelou que a resposta da Terra ao vento solar é linear e não possui limite defensivo, o que indica que o impacto de tempestades geomagnéticas extremas pode ser duas vezes maior do que o previsto anteriormente.
Riscos à infraestrutura global
A ausência de um limite de absorção geomagnética altera drasticamente os cenários de desastre. Um evento similar ao de Carrington, ocorrido em 1859, poderia inutilizar a rede global de cabos submarinos de internet devido à falta de proteção nos centros de repetição.
O colapso da rede elétrica de alta e média tensão desencadearia efeitos em cascata, comprometendo:
- Sistemas de pagamento e bancos;
- Hospitais e a indústria farmacêutica;
- Abastecimento de água e cadeias de suprimentos de alimentos;
- Serviços de saúde pública.
Eventos de magnitude extrema
Além das tempestades centenárias, o estudo alerta para os chamados Eventos Miyake. Registros em anéis de árvores datados de 774 indicam a ocorrência de um evento dez vezes mais poderoso que o de Carrington, enquanto núcleos de gelo revelam tempestades ainda maiores há 9.200 anos.
Um Evento Miyake na atualidade teria a capacidade de corromper o armazenamento de dados digitais, afetando registros de saúde e informações bancárias. Devido à inexistência de limites geomagnéticos, a capacidade destrutiva desses fenômenos superaria todas as previsões e planos de contingência atuais.