Ciência

Exército desenvolve tecnologia para produzir fibra de carbono a partir de resíduos de petróleo no Brasil

18 de Maio de 2026 às 06:18

O Centro Tecnológico do Exército desenvolve o projeto TECFIBRA para produzir fibra de carbono a partir de piche de petróleo. A iniciativa, financiada pela Finep e FNDCT com apoio da Petrobras, possui orçamento de R$ 29.576.561,15 e vigência até dezembro de 2026

Exército desenvolve tecnologia para produzir fibra de carbono a partir de resíduos de petróleo no Brasil
Exército e Petrobras desenvolvem fibra de carbono feita de piche de petróleo para reduzir dependência externa em materiais de defesa. (Imagem: Ilustrativa)

O Centro Tecnológico do Exército conduz a iniciativa TECFIBRA, uma pesquisa voltada à produção de fibra de carbono utilizando piche de petróleo, material denso e escuro resultante do processo de refino. O projeto, que conta com apoio da Petrobras e financiamento da Finep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, busca transformar um resíduo da cadeia petrolífera em um insumo de alto valor industrial.

A fibra de carbono é amplamente demandada por combinar leveza e alta resistência, sendo essencial em setores como a indústria aeroespacial, automobilística, de energia eólica, engenharia estrutural e em equipamentos militares. Enquanto a maior parte da produção comercial global utiliza a poliacrilonitrila (PAN) como matéria-prima, a rota tecnológica brasileira aposta nos piches derivados de frações pesadas do petróleo, aproveitando a disponibilidade desse recurso no país.

Atualmente, o Brasil depende de fornecedores externos para obter esses materiais avançados, o que gera vulnerabilidades estratégicas para a Defesa Nacional, como riscos de restrições comerciais, oscilações de preços e dificuldades de suprimento em crises. O domínio de uma tecnologia nacional visa ampliar a autonomia tecnológica e fortalecer a Base Industrial de Defesa, além de fomentar a formação de mão de obra especializada em engenharia e processos químicos.

O projeto está em fase de pesquisa, desenvolvimento e ampliação de escala, com vigência estabelecida entre 23 de dezembro de 2022 e 23 de dezembro de 2026, dispondo de um orçamento de R$ 29.576.561,15. O plano de trabalho prevê a otimização da produção, a fiação de cabos com mil filamentos e a especificação de uma planta piloto para produção contínua.

Para que o material seja viável em aplicações rigorosas, como em drones, aeronaves e sistemas de proteção, ele deve passar por etapas rigorosas de preparação, fiação, estabilização, carbonização, grafitização, tratamento superficial e testes de desempenho. A precisão nesses processos é fundamental para garantir a rigidez, a estabilidade térmica e a resistência necessárias.

Apesar do potencial, a tecnologia ainda não atingiu a escala de produção comercial. O TECFIBRA foca na transição do ambiente laboratorial para a viabilidade industrial, etapa necessária para que a tecnologia seja posteriormente transferida a empresas nacionais. A fabricação de fibras a partir de piches mesofásicos é restrita a poucos países, como Japão e Estados Unidos, e envolve dados frequentemente mantidos sob sigilo pelas fabricantes.

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