Explosão do vulcão Krakatoa em 1883 é considerada o som mais alto da história documentada
A explosão do vulcão Krakatoa, em 27 de agosto de 1883, gerou o som mais alto da história documentada, com 310 decibéis e alcance de 4.800 quilômetros. O evento causou cerca de 36 mil mortes e reduziu a temperatura global entre 0,5 e 0,8 °C no ano seguinte

A explosão final do vulcão Krakatoa, ocorrida às 10h02 do dia 27 de agosto de 1883 no Estreito de Sunda, entre Java e Sumatra, é considerada o som mais alto da história documentada. Com uma pressão sonora estimada retroativamente em 310 decibéis na fonte, o estrondo foi ouvido a 4.800 quilômetros de distância, alcançando a ilha de Rodrigues, no Oceano Índico, onde marinheiros descreveram o ruído como disparos de canhões pesados vindos do nordeste.
Devido à natureza logarítmica da escala de decibéis, onde cada aumento de 10 dB multiplica a intensidade por dez, o evento superou o limite teórico de 194 dB para sons no ar ao nível do mar, transformando-se em uma onda de choque atmosférica. A propagação desse fenômeno foi viabilizada pela magnitude da energia liberada e pelas condições da topografia oceânica.
O impacto geofísico foi registrado por barógrafos em ao menos 50 estações meteorológicas globais, que captaram pulsos de pressão sucessivos. Essas ondas circularam a Terra entre três e quatro vezes em cada direção, levando cerca de 36 horas para completar cada volta. Ao todo, sete pulsos foram detectáveis ao longo de quase cinco dias.
Eventos dessa magnitude são raros no registro vulcanológico, ocorrendo possivelmente a cada milhares de anos. O padrão de ondas de pressão globais só foi observado novamente em 15 de janeiro de 2022, durante a erupção do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, no Pacífico Sul. Embora tenha sido a maior erupção do século 21, a pressão sonora do Hunga Tonga foi inferior à do Krakatoa, mas serviu para validar e recalibrar os cálculos históricos do evento de 1883.
As consequências do Krakatoa foram devastadoras, resultando em aproximadamente 36 mil mortes, a maioria causada por tsunamis que superaram 40 metros de altura. Além disso, a emissão de cinzas reduziu a temperatura global entre 0,5 e 0,8 °C no ano seguinte, fazendo com que 1884 fosse conhecido no hemisfério norte como o "ano sem verão".
Atualmente, o sistema vulcânico permanece ativo, com monitoramento constante do Programa Global de Vulcanismo do Smithsonian, que publicou a atualização mais recente sobre o local em 12 de maio de 2026. O uso de sensores satelitais e boias de detecção da NOAA em todos os oceanos permite a identificação de erupções em segundos, embora a previsão exata com horas de antecedência ainda seja um desafio científico.
O evento de 1883 continua sendo a referência para a modelagem do "pior cenário" de tsunamis vulcânicos. Essa base técnica é fundamental para o projeto de terminais de GNL e plataformas offshore no Pacífico Sul, especialmente porque o Estreito de Sunda é uma rota marítima estratégica. Qualquer atividade sísmica ou vulcânica severa na região possui potencial para interromper a logística global de carvão metalúrgico, petróleo e gás natural liquefeito.