Ciência

FAA suspende lançamentos da SpaceX após queda de foguete durante teste do Starship V3

01 de Junho de 2026 às 06:22

A FAA suspendeu os lançamentos do Starship e investiga a queda do foguete Super Heavy no Golfo do México, ocorrida em 22 de maio. O incidente foi causado por uma falha no motor após a separação das etapas

FAA suspende lançamentos da SpaceX após queda de foguete durante teste do Starship V3
REUTERS Steve Nesius

O teste do Starship V3, realizado em 22 de maio, terminou com a queda descontrolada do foguete Super Heavy no Golfo do México. O incidente ocorreu após a separação das etapas, quando o sistema apresentou uma falha no motor. Em resposta, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou a abertura de uma investigação imediata e suspendeu novos lançamentos de teste até que a SpaceX conclua as pesquisas e a agência aprove os resultados.

Este revés ocorre em um momento de fragilidade estrutural da empresa, com Elon Musk admitindo a existência de riscos de falência. A SpaceX enfrenta a pressão da Casa Branca para atingir a superfície lunar em 2028, prazo considerado otimista pelo engenheiro aeroespacial Robert Zubrin. Devido aos problemas recorrentes do Starship, a companhia já perdeu o monopólio do módulo lunar da NASA — com entrega prevista originalmente para 2024 — para a Blue Origin. Paralelamente, a agência espacial chinesa avança com testes de naves e lançadores semelhantes aos módulos Apolo.

Para o analista do setor aeroespacial Brian Hurley, cada teste do Starship expõe publicamente a cadência, a tolerância ao risco e as fraquezas da SpaceX, fornecendo dados valiosos para concorrentes, especialmente a China, que monitora o progresso dos Estados Unidos no retorno tripulado à Lua.

A viabilidade do Starship como sistema de transporte de cargas pesadas para a órbita em 2028 depende, segundo Zubrin, de avanços complexos, como o desenvolvimento de tanques de abastecimento e o reabastecimento orbital sucessivo para sair da Terra e chegar à Lua. Para evitar a evaporação do combustível super-resfriado, seria necessário um ritmo intenso de 10 a 15 lançamentos.

Há também preocupações técnicas sobre o pouso lunar. Hurley aponta que o tamanho do Starship, somado ao peso das pernas de pouso e à instabilidade do solo lunar, pode gerar a ejeção de poeira e rochas em alta velocidade, comprometendo a visibilidade e os sensores. Como alternativa para evitar a criação de crateras e problemas de nivelamento, Zubrin sugere a utilização de um "Starboat" — um veículo com apenas 20% da massa original que seria abastecido pelo Starship em órbita, evitando que a nave principal precise pousar.

Essas dificuldades impactam a operação comercial da SpaceX. A Starlink, responsável por até 80% da receita, planeja implantar 34 mil satélites V3 para telefonia móvel, mas a dimensão desses equipamentos torna o lançamento via Falcon 9 economicamente inviável, gerando dependência total do Starship. Enquanto isso, a AST Space Mobile avança no mercado de conectividade 5G com tecnologia própria. Além disso, o Falcon 9 enfrenta concorrência crescente em preços da Rocket Lab, Blue Origin e empresas chinesas.

Diante desse cenário e visando justificar uma valorização de mercado entre 1,75 e 2 bilhões de dólares em uma futura oferta de ações, Musk propôs a criação de um centro de dados de inteligência artificial no espaço, com um milhão de servidores e 100 gigawatts em dez anos, utilizando catapultas eletromagnéticas em uma base lunar. No entanto, o astrofísico de Harvard, Avi Loeb, classifica o projeto como fantasia científica especulativa, afirmando que a proposta ignora as leis da termodinâmica no vácuo espacial e é tecnologicamente inviável por décadas.

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