Ciência

Fragmentos de Proto-Terra Encontrados no Manto Profundo da Terra, Desafiando Teorias Anteriores sobre Formação Planetária

14 de Março de 2026 às 18:06

Um estudo publicado na revista Nature Geoscience revelou que restam vestígios da proto-Terra original preservados no manto profundo do planeta. A pesquisa encontrou fragmentos de potássio-40 deficientes em amostras geológicas e lavas vulcânicas, sugerindo a sobrevivência de material anterior à formação da Lua. Essa descoberta abre uma nova perspectiva para estudar a origem da Terra e o Sistema Solar

Um estudo publicado na revista Nature Geoscience, liderado pela professora Nicole Nie do MIT, revelou que a Terra ainda guarda vestígios de seu passado. A pesquisa encontrou fragmentos da proto-Terra original preservados no manto profundo do planeta.

Os cientistas analisaram amostras geológicas em regiões extremamente antigas da crosta continental e lavas vulcânicas do Havaí, que são alimentadas por plumas profundas do manto terrestre. Eles encontraram um déficit de cerca de 65 partes por milhão de potássio-40 nas amostras.

Esse resultado é surpreendente porque os modelos anteriores sugeriam que a colisão com Theia havia apagado completamente qualquer assinatura química anterior à formação da Lua. No entanto, as evidências encontradas indicam que fragmentos da proto-Terra sobreviveram ao impacto.

A descoberta sugere que o manto profundo pode preservar tanto fragmentos de Theia quanto fragmentos da proto-Terra original, funcionando como uma espécie de arquivo geológico da formação do planeta. Além disso, os resultados indicam que o inventário atual de meteoritos disponível para estudo ainda é incompleto e pode existir material primordial do Sistema Solar que não foi identificado ou chega à Terra na forma de meteoritos.

Essa pesquisa abre uma nova perspectiva para estudar a origem da Terra e a evolução inicial do Sistema Solar. Os fragmentos preservados no manto profundo representam uma rara janela científica para o início da história do nosso mundo, permitindo que os cientistas entendam melhor como o planeta se formou e como ele mudou ao longo dos bilhões de anos.

A equipe liderada pela professora Nicole Nie usou simulações computacionais complexas para testar a hipótese de que as amostras analisadas continham fragmentos da proto-Terra. Eles consideraram dados sobre meteoritos conhecidos, impactos posteriores ao longo da história da Terra e processos geológicos como tectônica de placas.

Mesmo com esses cenários, nenhum modelo conseguiu reproduzir o déficit de potássio-40 observado nas amostras. A única explicação compatível com os dados foi a presença de material que existia antes da colisão com Theia. Isso é um achado importante porque sugere que fragmentos da proto-Terra podem ter sobrevivido ao impacto e sejam encontrados no interior do planeta.

A pesquisa também conecta-se às pesquisas recentes sobre o interior da Terra, sugerindo que as LLSVPs (Large Low Shear Velocity Provinces) podem ser fragmentos do próprio planeta Theia enterrados a milhares de quilômetros de profundidade. Agora, o novo estudo indica que essas estruturas também podem preservar fragmentos da proto-Terra original.

A descoberta desses fragmentos é uma grande conquista para a ciência planetária e abre novas perspectivas para entender melhor a origem da Terra e a evolução do Sistema Solar.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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