Fumaça de incêndios florestais na Espanha aumenta o risco de AVC em idosos
Pesquisa no European Heart Journal indica que a exposição a partículas PM2.5 de incêndios florestais na Espanha aumenta o risco de AVC em idosos. O estudo aponta que poluentes atingem a corrente sanguínea, causando danos persistentes mesmo após a dissipação da fumaça
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A exposição prolongada a partículas finas (PM2.5) provenientes de incêndios florestais na Espanha eleva o risco de AVC em idosos, conforme aponta pesquisa publicada no European Heart Journal. O estudo revela que os danos ao organismo persistem mesmo após a dissipação da névoa e quando as chamas estão distantes, extrapolando sintomas imediatos como tosse, irritação na garganta ou dificuldades respiratórias.
Impacto sistêmico e composição do fumo
As colunas de fumo carregam poluentes que penetram profundamente nos pulmões, incluindo dióxido de nitrogênio, ozônio, hidrocarbonetos aromáticos, chumbo e as partículas PM2.5. Devido ao tamanho microscópico, essas partículas conseguem atingir os alvéolos pulmonares e entrar na corrente sanguínea, atingindo tecidos do coração, cérebro e vasos sanguíneos.
Essa inalação promove o estresse oxidativo, processo capaz de agravar doenças preexistentes e acelerar o envelhecimento celular. Durante períodos de exposição intensa, foram detectados aumentos em infartos, distúrbios cardiovasculares e crises de saúde mental. Mesmo após a normalização da visibilidade do céu, algumas pessoas podem manifestar cansaço, dor de cabeça, aperto no peito, irritação ocular, desconforto nasal ou confusão mental por vários dias.
Riscos em áreas urbanizadas e grupos vulneráveis
A periculosidade do fumo se intensifica quando o fogo atinge polígonos industriais, vilas ou áreas urbanas. Nesses casos, a queima de plásticos, metais e materiais de construção adiciona substâncias como arsênio e metais pesados à fumaça, que pode ser transportada por centenas de quilômetros, afetando comunidades remotas.
Embora a população geral seja afetada, grupos específicos apresentam respostas mais graves:
- Idosos, crianças, pacientes com câncer e pessoas com asma.
- Gestantes: a exposição está relacionada ao baixo peso ao nascer e ao risco de parto prematuro.
- Outros riscos: a contaminação contínua é associada a alterações cognitivas, certos tipos de câncer e doenças autoimunes.
Ausência de limite seguro de exposição
Pesquisas indicam que não existe um nível de exposição ao fumo considerado seguro. Isso significa que episódios moderados e recorrentes podem impactar a saúde, ainda que não tenham a intensidade de grandes nuvens de fumaça. A gravidade do problema é evidenciada por um estudo no Science Advances, que estimou mais de 24.100 mortes anuais nos Estados Unidos entre 2006 e 2020 devido à exposição prolongada.
Para mitigar os riscos enquanto persistirem os incêndios na Espanha, as recomendações incluem:
- Permanecer em locais com ar limpo.
- Manter portas, janelas e sistemas de ventilação fechados para barrar a entrada de partículas.
- Evitar exercícios intensos ao ar livre.
- Utilizar máscaras de alta qualidade ao sair, embora estas não garantam proteção total.
- Monitorar constantemente a qualidade do ar.