Ciência

Hábito de assistir televisão na meia-idade pode estar relacionado a alterações estruturais no cérebro

20 de Julho de 2026 às 09:05

Estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia associou o consumo frequente de televisão na meia-idade à redução do volume cerebral em áreas ligadas à memória e ao Alzheimer. A pesquisa com 1.712 adultos indicou que tais alterações foram mais evidentes em homens

Hábito de assistir televisão na meia-idade pode estar relacionado a alterações estruturais no cérebro
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O hábito de assistir televisão com frequência durante a meia-idade pode estar relacionado a alterações estruturais no cérebro, especialmente em áreas que apresentam desgaste precoce em quadros de doença de Alzheimer. A conclusão é de um estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia, que acompanhou 1.712 adultos ao longo de aproximadamente 24 anos.

A pesquisa utilizou dados do projeto americano ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), focado em envelhecimento e doenças cardiovasculares. Os participantes, que não possuíam demência, informaram seus hábitos sedentários entre 1987 e 1989, quando tinham, em média, 53 anos. Entre 2011 e 2013, o grupo foi submetido a exames de ressonância magnética para a análise da estrutura cerebral.

Impactos do sedentarismo passivo e ativo

Os resultados revelaram que nem todo comportamento sedentário afeta a saúde cerebral da mesma maneira. Pessoas que assistiam à TV com frequência apresentaram:

  • Menor volume nas regiões frontal e occipital;
  • Redução de volume nas chamadas regiões de assinatura da doença de Alzheimer;
  • Menor volume em áreas ligadas à memória;
  • Aumento de hiperintensidades da substância branca, que são marcadores de doença cerebrovascular associados ao risco de demência e declínio cognitivo.

Em contrapartida, o hábito de permanecer sentado durante o trabalho apresentou associações distintas e, em alguns casos, opostas. Nesse grupo, observou-se um maior volume nas regiões parietal, frontal e occipital, além de menor presença de hiperintensidades da substância branca.

Para David Raichlen, professor da USC Dornsife e um dos autores principais, esses achados indicam que o contexto da atividade é tão relevante quanto o tempo total de inatividade. A hipótese dos pesquisadores é que atividades profissionais sedentárias exijam maior estímulo cognitivo do que o consumo passivo de televisão.

Diferenças entre gêneros e variáveis de saúde

A análise identificou que os impactos variam conforme o sexo. Entre as mulheres, não houve associações significativas entre a frequência de TV ou o trabalho sentado e as alterações cerebrais avaliadas. Já nos homens, o consumo frequente de televisão esteve ligado à redução de volume em diversas estruturas, incluindo as regiões temporal, parietal, frontal, occipital, subcorticais profundas e áreas características do Alzheimer, com perdas distribuídas nos dois hemisférios cerebrais.

Para garantir a precisão dos dados, os cientistas ajustaram as análises considerando fatores como escolaridade, sexo, idade, índice de massa corporal (IMC), hipertensão, diabetes, tabagismo, consumo de álcool e prática de atividade física. Mesmo após esses controles, a relação entre a televisão e a perda de volume cerebral permaneceu evidente, sugerindo que o problema não é explicado apenas pela falta de exercícios ou questões cardiometabólicas.

Limitações e recomendações de saúde pública

Os autores do estudo ressaltam que os dados sobre o consumo de televisão foram autorreferidos pelos participantes, o que pode reduzir a precisão em comparação a métodos de monitoramento objetivos. Além disso, a ausência de ressonâncias magnéticas no início do acompanhamento impede a comparação direta da evolução das mudanças cerebrais ao longo do tempo.

Natan Feter, pesquisador de pós-doutorado da USC Dornsife, defende que as recomendações de saúde pública devem ser ampliadas. Para ele, não basta incentivar as pessoas a passarem menos tempo sentadas; é fundamental considerar a natureza da atividade e as demandas cognitivas envolvidas, já que comportamentos sedentários distintos produzem impactos diferentes na saúde cerebral.

Com informações de G1

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