Lost City: Campo Hidrotermal no Oceano Atlântico Sustenta Vida sem Luz Solar
Cientistas estudam campo hidrotermal no Oceano Atlântico, chamado de Lost City. Ele sustenta vida sem luz solar graças a reações químicas entre água e rochas. A formação das torres brancas ocorre através do processo de serpentinização em fendas tectônicas profundas
No fundo do Oceano Atlântico, um campo hidrotermal chamado Lost City é objeto de estudo por cientistas. Este ambiente fascinante e extremo sustenta vida sem luz solar, graças a reações químicas entre água e rochas. A formação das torres brancas que atingem até 60 metros de altura ocorre através do processo de serpentinização, um fenômeno químico em fendas tectônicas profundas. Diferente da maioria dos sistemas hidrotermais, as estruturas liberam fluidos transparentes. A interação entre água e rochas cria energia química que sustenta microrganismos isolados nesse ambiente extremo. As torres do Lost City crescem continuamente quando minerais dissolvidos em fluidos alcalinos entram em contato com a água fria do oceano, um processo de precipitação mineral ocorrido há pelo menos 30 mil anos. Essas formações são compostas principalmente por carbonatos de cálcio e operam entre temperaturas baixas (40°C) e altas (90°C). Além disso, os fluidos possuem pH extremamente alcalino. A vida no Lost City é sustentada pela quimiossíntese. Microrganismos convertem gases como hidrogênio e metano em energia, formando a base de uma cadeia alimentar que inclui caracóis e pequenos crustáceos. Esse modelo biológico desafia a ideia tradicional de que a luz solar é essencial para o surgimento da vida. A descoberta do Lost City ampliou nossa compreensão sobre ambientes extremos, onde reações químicas podem substituir a luz solar como fonte de energia. Condições semelhantes podem existir em luas geladas e corpos celestes distantes. As expedições científicas confirmaram que o Lost City está localizado no Oceano Atlântico, próximo à Cordilheira Mesoatlântica. A exploração do campo exige tecnologia avançada e cooperação internacional para preservar esse santuário único de biodiversidade microbiana. Cientistas sugerem que ambientes como o Lost City podem ter servido como berço da vida na Terra primitiva, criando condições favoráveis para a formação de moléculas orgânicas estáveis. O estudo do ecossistema do Lost City conecta geobiologia e astrobiologia. O campo hidrotermal se consolida como um modelo natural que ajuda a entender tanto o passado quanto o futuro da vida no universo, desafiando conceitos tradicionais sobre origem da vida na Terra. A preservação do Lost City é considerada essencial para garantir novas descobertas científicas e aprofundar o conhecimento sobre sistemas extremos que ainda são pouco explorados.